Um mês da noite em que a chuva parou a Zona da Mata: relembre a tragédia, relatos de sobreviventes e memorial às vítimas

  • 23/03/2026
(Foto: Reprodução)
Fala Comunidade: histórias de quem precisa continuar a vida após tragédia em Juiz de Fora Há um mês, na noite de 23 de fevereiro, uma sequência de temporais transformou a Zona da Mata em um cenário de destruição. Em poucos dias, o acumulado de chuva superou a média histórica e deixou 65 mortos em Juiz de Fora e oito em Ubá. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Em Juiz de Fora, a tempestade começou no fim da tarde, ganhou intensidade à noite e avançou pela madrugada do dia 24 de fevereiro. O grande volume de água fez o Rio Paraibuna transbordar em vários pontos e provocou alagamentos severos e desmoronamentos em diferentes áreas da cidade. Diante do cenário, a Prefeitura anunciou a suspensão das aulas na rede municipal. Instituições estaduais, particulares e federais também cancelaram as atividades como medida preventiva. Quase 2 mil moradias foram destruídas. Em Ubá, o temporal também causou estragos no mesmo período. O Rio Ubá transbordou, e a Avenida Beira Rio ficou tomada pela água. Oito pessoas morreram. Vidas mudadas Antony Rosa, de 6 anos, foi salvo pela mãe durante o soterramento em Juiz de Fora TV Integração/Reprodução Para além dos dados oficiais, dos decretos e das explicações técnicas, a tragédia foi vivida por moradores que ficaram soterrados, lamentaram a perda de tudo o que construíram ao longo da vida e se despediram de familiares. No bairro Parque Burnier, o mais afetado pelo temporal em Juiz de Fora, uma mãe protegeu o filho, de seis anos, até o último momento. Antony sobreviveu a um soterramento, mas os pais faleceram no local. Já Vitória Gomes perdeu a mãe e a filha, Mellissa Emanuelly, de 2 anos, durante o deslizamento no Parque Burnier. “Foi tudo muito rápido. Perdi a minha mãe e a minha filha de uma vez só, tudo o que eu tinha nesta vida”, disse. Jaqueline Teodoro de Fátima Vicente, de 32 anos, ficou mais de 15 horas soterrada após um deslizamento na rua do Carmelo, no bairro Paineiras. Ela chegou a ser resgatada, mas morreu. A mãe, os dois filhos e o namorado também morreram na tragédia. O policial Reinaldo Neiva Ferreira, de 36 anos, morreu soterrado ao salvar a esposa e vizinhos de um prédio atingido por um deslizamento. Entre as histórias marcadas pela perda, está a de Maria Aparecida Batista, que perdeu 17 familiares. “Perdi 17 pessoas da família. Duas já foram enterradas, uma será enterrada agora, e ainda há 14 soterradas”, disse na época. Essas são algumas das histórias de pessoas que perderam a vida na maior cidade da Zona da Mata: https://public.flourish.studio/visualisation/28167197/ Chuva também afetou Ubá Em Ubá, a Prefeitura informou que a chuva extrema que atingiu a cidade registrou 170 milímetros em cerca de 3h30 e provocou “a maior inundação dos últimos anos”, além de danos severos em diferentes regiões. Uma das histórias marcantes foi a de Edna Almeida Silva, de 56 anos. Ela permaneceu abraçada a um poste por cerca de 3 horas para não ser levada pela enxurrada. “Eu dei tudo o que tinha e o que Deus me deu para sobreviver. Foi um milagre, minha fé me salvou. E, dentro do possível, estou tentando me recuperar. Ontem já consegui jantar um pouquinho; hoje consegui tomar um cafezinho”, contou, emocionada, ao g1. Outros oito moradores não tiveram a mesma chance e morreram. Edmara Peluzo Cândido, 32 anos; João Gonçalves Soares, 74 anos (marido de Maria); Maria da Conceição Honorato Soares, 65 anos (esposa de João); Elza das Graças da Silva, 77 anos; Alex Lucas Pinto, de 35 anos; Rafael Juliano Amaral; Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos (namorado de Edna Almeida). Luciano Franklin Fernandes, Alex Lucas Pinto e Rafael Juliano Amaral g1 LEIA TAMBÉM: Defesa Civil já vistoriou mais de 4 mil locais e outros mil seguem à espera; veja balanço de 1 mês das chuvas em Juiz de Fora Reconstrução Um mês depois, o trabalho de recuperação nas cidades segue. Em Juiz de Fora, ao todo, 8.880 pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas, o que representa cerca de 1,5% da população. A Defesa Civil já vistoriou mais de 4 mil locais, e outros mil seguem à espera. Veja mais abaixo: 1.008 moradias foram completamente destruídas; 928 imóveis estão interditados; 58 casas foram evacuadas por risco iminente; 156 famílias (457 pessoas) foram realocadas para apartamentos e hotéis. Em uma coletiva de imprensa na última semana, a prefeita Margarida Salomão (PT) destacou que os principais desafios imediatos envolvem moradia, além de obras de contenção de encostas e drenagem urbana. Projetos já autorizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, somam: ➡️ R$ 373 milhões para obras de drenagem, com intervenções previstas nos córregos dos bairros: Humaitá (Bairro Industrial) São Pedro (Mariano Procópio e Democrata) Santa Luzia Ipiranga Ribeirão das Rosas (Vila dos Sonhos) ➡️ R$ 233 milhões para obras de contenção, nos seguintes locais: Grajaú Olavo Costa Furtado (Vila Ideal) Santa Cecília Santa Luzia Costa Carvalho Cidade do Sol Graminha Dom Bosco Entre as prioridades estão: Acelerar obras estruturantes de drenagem e contenção (previsão para 23 de fevereiro de 2027); Buscar soluções para famílias desalojadas; Transformar áreas de risco em zonas ambientais protegidas. Chuva de fevereiro deixou 65 mortos em Juiz de Fora TV Globo/Reprodução VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes| em G1 / MG / Zona da Mata

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/03/23/um-mes-da-noite-em-que-a-chuva-parou-a-zona-da-mata-relembre-a-tragedia-relatos-de-sobreviventes-e-memorial-as-vitimas.ghtml


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