Tubarões e atuns podem 'superaquecer' com aquecimento dos oceanos; entenda

  • 21/04/2026
(Foto: Reprodução)
O grande tubarão-branco (Carcharodon carcharias), de corpo quente, tem alta demanda de energia e pode superaquecer em águas quentes. Terry Goss/CC BY-SA Tubarões-brancos, tubarões-mako e atuns têm uma característica rara entre os peixes: conseguem manter partes do corpo mais quentes do que a água ao redor. Isso os torna mais rápidos, mais poderosos e capazes de percorrer grandes distâncias. Mas essa vantagem tem um preço — e, com o aquecimento dos oceanos, essa conta pode ficar cara demais. Um estudo publicado na última semana na revista científica Science mostra que esses peixes gastam quase quatro vezes mais energia do que espécies de sangue frio de tamanho equivalente. Além disso, quanto maior o animal, mais calor ele produz — e mais difícil fica se livrar desse calor. Em oceanos cada vez mais quentes, isso pode empurrar essas espécies para regiões mais frias ou para extinção. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A pesquisa foi liderada pelo professor de Zoologia Nicholas Payne, da Universidade de Trinity College Dublin, na Irlanda, e reuniu dados de peixes que vão de larvas microscópicas a tubarões de mais de três toneladas. Ao g1, Payne conta que a maioria dos peixes tem a temperatura do corpo igual à da água em que vive. Mas um pequeno grupo — menos de 0,1% das espécies — evoluiu para reter o calor produzido pelo próprio metabolismo. Entre eles estão o tubarão-branco, o tubarão-mako, o tubarão-frade e várias espécies de atum. Essa capacidade traz vantagens reais: músculos mais quentes funcionam melhor, o que permite nadar mais rápido, enxergar com mais nitidez e se mover por distâncias maiores. É por isso que muitos desses animais estão no topo da cadeia alimentar dos oceanos. Mas manter o corpo aquecido exige combustível. O estudo confirma que esses peixes precisam de quase quatro vezes mais energia do que espécies de tamanho semelhante que não têm essa capacidade. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma ameaça adicional para espécies já vulneráveis Há ainda um complicador: quanto maior o peixe, mais calor ele produz internamente — mas a capacidade de perder esse calor para a água não cresce na mesma proporção. Isso cria um desequilíbrio que se agrava com o tamanho do animal. "Isso significa que peixes grandes, especialmente os de corpo quente e de grande porte, provavelmente precisam evitar águas quentes para não superaquecer", disse Payne ao g1. "É possível que consigam fazer alguns ajustes fisiológicos para eliminar mais calor para a água ao redor, mas achamos que esse achado pode explicar por que os grandes peixes de corpo quente geralmente são encontrados apenas em águas frias." O modelo desenvolvido pelos pesquisadores calcula os limites de temperatura que cada espécie consegue suportar antes de perder o equilíbrio térmico. Um tubarão de 500 quilos, por exemplo, já enfrentaria dificuldades em águas acima de 20°C. Um de uma tonelada, acima de 17°C. E o que acontece quando o limite é ultrapassado? Quando a água fica quente demais, o peixe precisa agir — ou corre risco de morte. Alguns peixes, como várias espécies de atum, conseguem ajustar a circulação do sangue para eliminar mais calor. Se nadarem mais devagar, produzem menos calor, o que também ajuda. Mas alguns grandes peixes de corpo quente podem não conseguir fazer nenhuma das duas coisas de forma significativa — e para eles, a saída pode ser buscar águas mais frias em latitudes mais altas ou em maiores profundidades. O estudo chama atenção ainda para o momento em que essas descobertas chegam. Muitos dos peixes afetados já estão ameaçados pela pesca excessiva e são capturados acidentalmente por redes comerciais. O aquecimento dos oceanos representa mais uma pressão sobre animais que já estão em situação delicada. "Muitos peixes mesotérmicos enfrentam enorme pressão da pesca excessiva e como captura acidental em pescarias comerciais", alerta Payne. "Muitos deles são ameaçados de extinção. Nosso estudo destaca uma vulnerabilidade adicional da qual devemos estar cientes, dado as mudanças que já estão acontecendo em nossos oceanos." Os pesquisadores apontam que o próximo passo é comparar os limites calculados pelo modelo com os lugares onde esses peixes realmente vivem — o que pode revelar o quanto cada espécie ainda tem de margem para se adaptar antes que o aquecimento se torne insuportável. Atum passa por cardume de peixes menores, observado por um mergulhador, na Reserva Marinha de Galápagos. Jorge Silva/Reuters LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/04/21/tubaroes-e-atuns-podem-superaquecer-com-aquecimento-dos-oceanos-entenda.ghtml


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