Tragédia na Venezuela: equipes internacionais buscam sobreviventes de terremoto histórico

  • 05/07/2026
(Foto: Reprodução)
Fantástico acompanha angústia e desafios na Venezuela pós-terremoto O terremoto devastador que atingiu a Venezuela em 24 de julho se tornou o maior abalo sísmico registrado no país em mais de um século. O epicentro dos danos concentrou-se no município costeiro de La Guaira, banhado pelo Mar do Caribe e localizado a 40 minutos da capital, Caracas. O impacto do tremor causou o colapso de conjuntos habitacionais, edifícios de classe média e residências de alto padrão, deixando bairros inteiros parcial ou completamente inabitáveis. O início do tremor foi registrado em vídeo por um morador do bairro de Playa Grande, em La Guaira, que assistia a uma partida de futebol entre Brasil e Escócia. As imagens gravadas pelo celular mostram o momento em que o apartamento começa a balançar intensamente, seguido pelo transbordamento de uma piscina e pelo desabamento parcial de um edifício vizinho. O prédio de onde o registro foi feito permaneceu de pé, mas foi condenado pelas autoridades. O proprietário do imóvel, que perdeu os bens e não possuía seguro, relatou que tremores de menor intensidade haviam sido sentidos na região duas semanas antes do desastre. Terremoto na Venezuela Reprodução Força-tarefa internacional e buscas por sobreviventes Para atuar nas buscas e no resgate de vítimas soterradas, uma coalizão internacional mobilizou cerca de 60 equipes de 28 países na região de La Guaira. Os grupos utilizam cães farejadores, sensores de presença e microfones ultrassensíveis capazes de detectar batimentos cardíacos sob os escombros. A missão humanitária brasileira na Venezuela é chefiada pelo capixaba Armin Braun. A equipe concentrou esforços na tentativa de resgate de um jovem chamado Santiago, cuja residência desabou. Após horas de operação, os sinais de vida cessaram e a ação foi encerrada. "Isso é algo que, sim, tocou bastante a equipe, mas a história do Santiago, pra nós, ela vira um motivador, pra nos dar força, nos dar garra pra encontrar outros Santiago aí, buscar, ir até onde a gente puder em busca dessas pessoas", explica Braun durante os trabalhos de escavação Apesar das dificuldades e do avanço dos dias, casos raros de sobrevivência mobilizam as equipes. O vigilante Hernán Gil foi resgatado com vida após passar oito dias soterrado. A operação para retirá-lo dos escombros durou 72 horas e envolveu mais de 100 resgatistas internacionais. Em contrapartida, famílias de vítimas enfrentam a espera por informações em acampamentos improvisados. Moradores de Caracas deslocam-se diariamente até La Guaira em busca de notícias de parentes, como no caso de duas crianças de oito e nove anos que visitavam amigos em um edifício de dez andares que colapsou totalmente e onde, até o momento, nenhum sobrevivente foi encontrado. Estrutura de acolhimento e hospital de campanha brasileiro Diante da destruição das moradias e do risco de saques, sobreviventes improvisaram avisos com as inscrições "propriedade particular" e "não entre" nas estruturas que restaram. Parte da população afetada foi encaminhada para um abrigo temporário montado em um campo de futebol, administrado por agências das Nações Unidas (ONU). O local fornece alimentação, suporte logístico e atendimento médico básico. Para os casos de maior gravidade, a Marinha do Brasil instalou um hospital de campanha na avenida beira-mar de La Guaira, estruturado cinco dias após o terremoto. A unidade de saúde conta com leitos de internação, centro cirúrgico, UTIs e especialidades como pediatria e ortopedia. A coordenadora da unidade e cirurgiã vascular, Marisa Martins, apontou que o perfil dos atendimentos mudou com o passar dos dias. "A gente tem pego muito, exatamente isso, pós-trauma. Pacientes que não tiveram como fazer o seu curativo, não tiveram como tomar o seu remédio, não tiveram como cuidar daquela ferida e voltam então pra gente já com uma ferida infectada", afirmou a médica. A média de atendimentos na estrutura brasileira atingiu a marca de 120 pacientes por dia. O chefe da missão da Marinha, comandante Leonel Mariano, alertou para o início de uma nova fase da operação humanitária. "Nos últimos dias a gente está com uma média já de 120 pacientes por dia e tendendo a subir. Infelizmente vai chegar um momento em que vai começar a remoção de cadáveres. E aí, nessa fase, as preocupações sanitárias aumentam. A gente tem que estar preparado", explicou o comandante. Cobranças ao governo e relatos de sobrevivência Moradores da região afetada manifestaram insatisfação com a velocidade das ações de socorro do Estado, relatando que precisaram cavar os escombros com as próprias mãos antes da chegada das equipes estrangeiras. Questionada por jornalistas internacionais em entrevista coletiva, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as críticas sobre a gestão da crise. "Politizar uma situação humanitária como esta, em que o governo e as autoridades da Venezuela mobilizaram todos os esforços públicos, privados, nacionais e internacionais. Que alguém diga que teve acesso ou ajuda negados. Que alguém diga isso. Isso não existe", disse Rodríguez. Entre os sobreviventes assistidos, há relatos como o de Dayana e de seu filho recém-nascido, Juan David, que passaram mais de 30 horas soterrados. O pai da criança, Gerson Trujillo, conseguiu escapar do desabamento segundos antes do colapso do prédio e localizou a família após ouvir a voz da esposa sob os destroços. O bebê foi resgatado primeiro e a mãe foi retirada uma hora depois. A família está abrigada temporariamente na residência de parentes e abriu uma arrecadação virtual para tentar reconstruir a rotina. O edifício onde a família residia antes do colapso era vizinho ao apartamento do morador que filmou o início do terremoto, aparecendo ainda intacto nos primeiros segundos das imagens gravadas. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO Confira também:

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/07/05/tragedia-na-venezuela-equipes-internacionais-buscam-sobreviventes-de-terremoto-historico.ghtml


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