Tarifaço: Brasil avalia estratégias para evitar 'tiro no pé' em reciprocidade contra EUA

  • 18/07/2026
(Foto: Reprodução)
Após o anúncio do novo tarifaço de Donald Trump às exportações brasileiras, o governo federal começou a recalibrar as estratégias para responder à ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil. O Palácio do Planalto tem como decisão política já tomada a adoção da Lei da Reciprocidade contra os EUA. Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo deve iniciar os trâmites para acionar a lei nos próximos dias. Representantes de setores atingidos pela nova tarifa de 25% reagem à decisão ➡️ A lei brasileira, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil. Nas palavras de um auxiliar de alto nível da diplomacia brasileira, o governo federal estuda "cirurgicamente" os setores norte-americanos para evitar que a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA acabe sendo um "tiro no pé" e prejudique o próprio país. ➡️ O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta-feira. 🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. LEIA TAMBÉM: Tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro para os EUA, diz CNA Em um primeiro levantamento preliminar, o governo brasileiro identificou que é possível aplicar medidas contra o setor audiovisual e patentes farmacêuticas, conforme divulgado pela Reuters e confirmado pelo g1. O processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade pode ser demorado, mas a avaliação dentro do governo é que tudo depende de como os setores vão reagir, sobretudo as cadeias afetadas. Operação de transporte de cargas em porto Bruno Leão/ Sedecti Ajuda aos setores O governo iniciou nesta sexta-feira (17) as consultas aos setores prejudicados pelo novo tarifaço de Trump e estuda como o Estado pode ajudar efetivamente a diminuir os impactos no país. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Márcio Rosa. Segundo nota divulgada pela CNI, durante a conversa, foi proposta a formação de um grupo para discutir uma versão da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB). LEIA TAMBÉM: Alckmin diz que empresas afetadas pelo tarifaço terão ajuda e reciprocidade contra EUA será usada em 'momento adequado' "O intuito é apresentar uma alternativa para o novo tarifaço norte-americano que vai atingir 26,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos com tarifa adicional de 25%. A tarifa anunciada afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras", diz a CNI. Na quinta-feira (16), Alckmin anunciou que o governo federal terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou sobre produtos brasileiros. O Plano "Brasil Soberano", implementado no ano passado no contexto das primeiras tarifas contra o Brasil, irá atender os setores atingidos. Na próxima semana, o governo deve começar rodadas de conversas para ouvir as demandas de cada setor afetado. Diversificação de mercado A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados voltado, principalmente, para os setores afetados pelas novas tarifas dos Estados Unidos e aos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, que deve ser lançado no início de agosto, contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado. Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os mercados considerados estratégicos. Segundo interlocutores, o governo brasileiro também conversa com Japão, Canadá e Emirados Árabes para que parte da produção que não vai mais para os EUA possa ser realocada para outros mercados.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/18/tarifaco-brasil-avalia-estrategias-para-evitar-tiro-no-pe-em-reciprocidade-contra-eua.ghtml


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