Suspeita de montar evento de luxo com nome de grife europeia criou personagem portuguesa para enganar vítimas, diz polícia
20/03/2026
(Foto: Reprodução) Suspeitos de dar golpe de R$ 4 milhões com evento de luxo usando nome de grife são presos
A suspeita apontada como líder de um grupo de estelionatários que estava montando um evento fictício de luxo usando o nome de uma famosa grife europeia criou uma personagem portuguesa para enganar as vítimas, segundo a Polícia Civil. O suposto baile de máscaras aconteceria no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO, em Aparecida de Goiânia. Mas tudo não passava de uma farsa, segundo a delegada Lara Soares, responsável pela investigação.
A líder do grupo é Mayara Cristina Constantino Machado, de 33 anos, que se apresenta nas redes sociais como consultora de imagem e estilo. Ela e os outros integrantes do grupo foram presos na quarta-feira (18), mas a Justiça determinou que fossem soltos, na tarde de quinta-feira (19), porque considerou ilegais as prisões em flagrante, realizadas na casa deles sem mandado judicial. Os três, porém, terão que usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas cautelares.
O g1 procurou a defesa de Mayara, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Sobre o evento que aconteceria no CEL, a Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag/OAB) lamentou o ocorrido e disse que se solidariza com eventuais vítimas (leia a íntegra da nota ao final da reportagem).
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De acordo com a delegada, para convencer as vítimas de que tudo era verdade, a suspeita criou uma personagem fictícia, chamada Fran de Pierre, uma portuguesa que morava em Paris, que seria funcionária da marca francesa e responsável pelas contratações do serviço para a festa no Brasil.
"Na verdade, não existia festa nenhuma, não existia contratação nenhuma porque não existia essa pessoa", disse Lara.
O evento de luxo estava sendo organizado no CEL-OAB, em Aparecida de Goiânia. À dir., o perfil de Mayara no Instagram
Divulgação/ PCGO e Reprodução/ Perfil do Instagram de Mayara Cristina Constantino
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Para fazer as vítimas acreditarem que tudo era verdade, Mayara criou e-mails em nome dessa "Fran de Pierre", que ela enviava para si própria, com mensagens ora em português, ora em francês. Em seguida, ela encaminhava esses e-mails para os fornecedores alvo do esquema.
Segundo a polícia, o grupo estava atuando em duas frentes: na organização do falso evento, cujos fornecedores tiveram um prejuízo estimado em pelo menos R$ 4 milhões, e no convite às pessoas para essa festa, mediante a compra de supostas bolsas da grife. A polícia não divulgou o nome da marca.
"Nós temos vítimas dos dois lados: as que produziram todo o evento e as vítimas que foram convidadas, mas na verdade para elas serem convidadas, elas tinham que comprar uma bolsa da marca", explicou a delegada.
Marido e cunhada envolvidos
Os outros integrantes do grupo são o marido de Mayara e a cunhada dela, irmã dele. A polícia não divulgou as suas identidades. Segundo a delegada, a prisão foi necessária porque as investigações apontaram para um risco real de fuga.
Mayara é paraense, mas mora em Goiânia há cerca de três anos. O marido, que recebia o dinheiro do esquema, foi servidor público federal, mas pediu exoneração do cargo, de acordo com a delegada. O casal está junto há cerca de oito anos.
"A gente ainda vai apurar se ela só usava as contas dele ou se ele realmente tinha envolvimento. Pelo que a gente viu, pode ser que sim, porque ele participou de algumas reuniões com os produtores (do evento)", detalhou.
Mayara Cristina Constantino Machado dizia ser consultora de imagem e estilo e vendia bolsas de grife como convite a uma festa fictícia
Reprodução/ Perfil do Instagram de Mayara Constantino e Divulgação/ PCGO
Consultora de imagem e estilo
Segundo a delegada, Mayara usava o seu perfil no Instagram para abordar as vítimas, tanto para vender as supostas bolsas da marca quanto para convidá-las para o evento, que aconteceria no próximo sábado, 21 de março. O luxo do baile seria tanto que, segundo Lara, a estimativa era que ele custaria cerca de R$ 12 milhões e teria até shows de cantores sertanejos famosos.
O perfil do Instagram de Mayara possui mais de 7 mil seguidores. Nele, a suspeita se define da seguinte forma: "um perfil que não foca em te ensinar a se vestir de forma elegante, mas, sim, de forma autêntica e intencional".
Segundo a delegada, até agora foram identificadas em Goiás seis vítimas em relação ao falso evento e uma em relação à venda das supostas bolsas da marca que dariam direito ao convite para a festa. Essa pessoa, porém, passou à DEIC uma lista de convidados que seriam potenciais vítimas do Pará, estado-natal de Mayara.
"E ela também já morou no Paraná. Tudo indica, pelo que a gente apurou, que pode haver outras vítimas nesses outros estados, principalmente considerando esse fato de que ela vendia bolsas e não entregava. Existe até um grupo chamado 'vítimas de Mayara".
Até o momento, o trio deve responder pelo crime de estelionato, mas a polícia investiga se houve outros crimes, como associação criminosa e crime contra a propriedade imaterial, ou seja, relacionado a direitos autorais e industriais de uma marca.
Leia a íntegra da nota da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás – Casag/OAB-GO:
"O contrato celebrado pela Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag/OAB) previa a locação do salão de festas do Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) e dos pátios de estacionamento A e B, com 350 vagas disponíveis, para evento a realizar-se no dia 21 de março de 2026, com público limitado a 400 participantes. A Casag não divulga valores de locação por razões comerciais e de confidencialidade. A Casag/OAB lamenta o ocorrido e se solidariza com eventuais vítimas".
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Segundo a polícia, o grupo estava atuando em duas frentes: na organização do falso evento cujos fornecedores tiveram um prejuízo estimado em pelo menos R$ 4 milhões, e no convite às pessoas para essa festa, mediante a compra de supostas bolsas da grife. A polícia não divulgou o nome da marca.