Roblox vira alvo de autoridades após casos de aliciamento e conteúdos impróprios; plataforma desperta preocupação de famílias

  • 08/02/2026
(Foto: Reprodução)
Roblox: o que pais precisam saber sobre a segurança das crianças Um dos ambientes virtuais mais populares entre crianças e adolescentes, o Roblox — plataforma com milhares de jogos criados pelos próprios usuários — tem sido alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Autoridades apontam que, por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, o espaço abriga riscos sérios: conteúdos inadequados, dificuldades de monitoramento e, principalmente, um cenário fértil para a atuação de aliciadores de menores. Ao entrar no Roblox, o usuário cria rapidamente um avatar e escolhe um apelido sugerido pela própria plataforma. A criação de conta é simples e, no caso de quem afirma ser maior de idade, nem documentos ou e‑mail são exigidos. Com isso, jogadores podem circular livremente por milhares de mundos virtuais e conversar com outras pessoas — via chat escrito ou por áudio. Segundo dados da plataforma, 144 milhões de usuários jogam diariamente, sendo: 50 milhões menores de 13 anos, 57 milhões entre 13 e 17 anos. A maior parte acessa pelo celular, o que torna o jogo ainda mais presente no cotidiano das famílias. Roblox Reprodução No início do ano, o Roblox implementou verificação facial para tentar identificar a idade dos jogadores e restringir o chat para crianças — o que gerou protestos dentro da própria plataforma. Jogos impróprios e ambientes hostis Embora muitos games indiquem “idade mínima” para acesso, a própria empresa afirma que essa classificação não tem caráter formal e apenas sinaliza restrições. Como grande parte dos conteúdos é criada por usuários, diversos ambientes apresentam temas inadequados para menores. Autoridades relatam a existência de: bailes funk com músicas sexualizadas, jogos com apologia a facções, simulações de ataques em escolas, ambientes que induzem ao suicídio, jogos que oferecem “dinheiro” ao jogador por “matar pessoas”, e até mundos com "venda de crianças". A delegada Lysandrea Salvariego Colabuono, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, afirma que jogos perigosos são denunciados à plataforma, mas podem levar semanas para serem retirados do ar. Roblox como porta de entrada para crimes O núcleo especializado relata que 90% das vítimas monitoradas em investigações iniciaram contato com agressores dentro do Roblox. O modo de atuação é silencioso: adultos se passam por crianças, estabelecem vínculos afetivos, conduzem conversas para outros aplicativos, iniciam manipulação emocional, até conseguir fotos ou vídeos íntimos das vítimas. “O agressor não tem pressa. Ele ganha a confiança da criança”, diz a delegada. Casos recentes ilustram o problema: Em Curitiba (PR), uma menina de 11 anos, que jogava um game de construção de zoológicos, passou a ser chantageada. A mãe só descobriu o que ocorria no dia 1º de janeiro. O caso é investigado pelo Nuciber, núcleo especializado em crimes cibernéticos no Paraná. Já em Porto Alegre (RS), outra vítima, uma menina de 12 anos iniciou, uma conversa com um usuário anônimo em um jogo popular de sobrevivência a desastres naturais. O agressor divulgou fotos íntimas dela para familiares e para a escola. O suspeito — um adolescente de 16 anos, de Ribeirão Preto — foi identificado. No celular dele, a polícia encontrou imagens de violência extrema, apologia ao nazismo e grupos de pedofilia, além de possíveis novas vítimas. Mesmo com o agressor apreendido, a família teme novas exposições. O que diz a plataforma O Fantástico procurou a empresa, que disse em nota que suas medidas de segurança vão muito além do que outras plataformas fazem. Diz que não permite que os usuários compartilhem imagens ou vídeos no chat e que a comunicação no Roblox não é criptografada para que a empresa possa monitorá-la, afirma proibir conteúdo inadequado ou que promova atividades ilegais como glorificação de drogas, gangues ou a recriação de eventos sensíveis do mundo real, como tiroteios em escolas. que trabalha para detectar e remover esse tipo de conteúdo, incluindo o uso de verificações humanas e automatizadas. a empresa fala ainda que fornece ferramentas de denúncia fáceis de usar. Marco legal no Brasil e o debate global A discussão acontece em meio à implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), aprovado em setembro do ano passado e que começa a valer em 1º de março deste ano. O estatuto estabelece regras mais rígidas para proteger menores em plataformas digitais — o que deve exigir mudanças do Roblox para continuar operando no país. A preocupação com redes sociais para menores cresce no mundo. A Austrália restringiu o uso. A Espanha pretende adotar medidas semelhantes. Na Califórnia, famílias e escolas movem um grande processo contra empresas de tecnologia, acusadas de criar ambientes nocivos e viciantes. Embora não haja consenso científico sobre a dependência digital entre crianças, profissionais de saúde relatam aumento de casos relacionados ao uso excessivo de telas. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/02/08/roblox-conteudo-improprio-autoridades-familias.ghtml


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