Quem foi Afukaka Kuikuro, cacique do Alto Xingu que dedicou a vida à defesa da cultura indígena
16/06/2026
(Foto: Reprodução) Afukaka Kuikuro, considerado um dos maiores campeões de luta dos Kuikuro, assumiu responsabilidades cada vez maiores até se tornar cacique.
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Afukaka Kuikuro, uma das principais lideranças do povo Kuikuro e do Alto Xingu, que morreu nesta segunda-feira (15), nasceu em uma tradicional linhagem de chefes e dedicou a vida à defesa da cultura indígena, à preservação das tradições e ao fortalecimento do diálogo com a sociedade não indígena.
Ao g1, o neto do cacique afirmou que o avô fazia parte de uma linhagem de grandes lideres. Afukaka era neto de um cacique que levava o mesmo nome e filho de Almar, reconhecido líder e grande lutador. Após a morte do pai, ainda na infância, construiu sua própria trajetória dentro da comunidade e se tornou uma das principais referências do Alto Xingu.
Embora não fosse o primeiro nome na linha de sucessão da chefia, conquistou respeito por sua habilidade como lutador e pela atuação em favor de seu povo. Considerado um dos maiores campeões de luta dos Kuikuro, assumiu responsabilidades cada vez maiores até se tornar cacique.
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Legado e repercussão
Morre o cacique Afukaka Kuikuro, liderança indígena no Alto Xingu
Reprodução/Redes Sociais
Ao longo da vida, Afukaka Kuikuro teve papel importante na aproximação entre os povos do Alto Xingu e a sociedade não indígena. Defendia o diálogo com o mundo exterior sem abrir mão da preservação da cultura, dos costumes e dos rituais tradicionais de seu povo.
A luta também ganhou destaque internacional. Afukaka representou os povos do Alto Xingu em diferentes países e se tornou uma importante voz na defesa dos territórios, dos direitos e da cultura indígena.
Afukaka também participou de pesquisas sobre o território kuikuro e foi um dos primeiros indígenas a assinar um artigo científico publicado na revista Science.
"Ao longo dos anos, recebeu pesquisadores, artistas e autoridades de várias partes do mundo. Entre eles estava o fotógrafo Sebastião Salgado, com quem manteve uma amizade e chegou a visitar a França", contou o neto.
A partir dos anos 2000, o cacique iniciou, ao lado do antropólogo Carlos Fausto, um trabalho de registro dos cantos rituais kuikuro. Desenvolvido por mais de uma década, o projeto ajudou a preservar conhecimentos tradicionais e se tornou uma importante referência para a valorização da cultura indígena.
Família e tradição
Após perder o pai ainda na infância, Afukaka foi criado pela mãe e por uma tia-avó materna, ambas pertencentes à linhagem de chefia. Ao longo da vida, formou uma grande família ao se casar com duas irmãs.
O filho mais velho, que seria seu sucessor na liderança, morreu repentinamente pouco antes de concluir a reclusão ritual. Com isso, a chefia passou para o filho mais novo, Amuneri, que atualmente ocupa o cargo.
Nos últimos anos, passou a viver mais recolhido na aldeia devido ao agravamento de problemas de saúde, especialmente após contrair Covid-19. Ele permaneceu ao lado da família e da comunidade até os últimos dias de vida.
"Seu legado permanece vivo na força de sua liderança, na preservação da cultura kuikuro e no exemplo de dedicação ao seu povo. Sua história continuará inspirando as futuras gerações", declarou o neto do cacique.
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Repercussão
A morte do líder teve grande repercussão entre as instituições. Em nota, o Instituto Raoni lamentou a morte e destacou a atuação do cacique na defesa do território, da floresta, da cultura e dos direitos dos povos indígenas.
“Sua partida representa uma perda imensurável para o povo Kuikuro, para os povos do Xingu e para todo o movimento indígena brasileiro. Permanecem, entretanto, sua palavra, seus ensinamentos e o exemplo de uma vida dedicada à coletividade e às futuras gerações”, afirmou o Instituto.
A Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, também lamentou a morte do líder.
"Neste momento de dor, manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos, à comunidade Kuikuro e a todos que tiveram o privilégio de conviver com sua liderança", diz a nota compartilhada pela Associação Terra Indígena Xingu (ATIX).