Operação apreende R$ 155 mil e US$ 10 mil com carcereiro suspeito de facilitar regalias para Milton Leite; presidente do PL foi uma das visitas
16/10/2026
(Foto: Reprodução) Dinheiro foi encontrado na casa do carcereiro durante uma busca realizada na cadeia onde Leite está preso
Dilvulgação
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil (aproximadamente R$ 50 mil) com um carcereiro suspeito de facilitar regalias para o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Cerca de R$ 150 mil e US$ 10 mil foram encontrados na casa do carcereiro. Outros aproximadamente R$ 4 mil estavam no bolso dele durante uma busca realizada na própria cadeia.
Milton é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de ligação entre o PCC e o setor de transporte público de São Paulo.
Exclusivo: Promotores e policiais apuram regalias em cadeia onde está Milton Leite
A operação desta sexta teve início após uma denúncia anônima que apontou suspeitas de que o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo estivesse recebendo regalias na prisão. Entre elas, estariam visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana. O suposto favorecimento seria viabilizado por um carcereiro.
Entre os políticos que visitaram Milton Leite sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e os deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL).
O objetivo da operação é verificar as condições em que os presos se encontram, além de procurar celulares, imagens de câmeras de monitoramento e outras provas que possam contribuir com a investigação.
Autorizada pela Justiça, a ação também prevê buscas em outras celas da cadeia, no 1º Distrito Policial e na casa do carcereiro suspeito de facilitar o suposto favorecimento indevido a Milton Leite.
O Gaeco apura suspeitas de corrupção ativa e passiva. Na esfera administrativa, a Corregedoria da Polícia Civil também poderá instaurar um procedimento para investigar a eventual participação de policiais civis no caso.
A cadeia é administrada pela Polícia Civil e fica anexa ao 1º Distrito Policial.
Imagens mostram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro e a entrada de um carro de luxo na unidade. As imagens também registram a chegada de uma viatura descaracterizada ao 1º Distrito Policial, da qual desembarcaram dois homens e uma mulher que aparenta ser uma delegada. (veja acima)
Segundo a investigação, um dos homens entrou na cadeia e retornou com Milton Leite, que foi levado à delegacia pela entrada administrativa, de acesso restrito. O ex-vereador permaneceu no local por quase uma hora e depois foi levado de volta à carceragem. Pouco depois, a mulher deixou a delegacia na mesma viatura. Segundo as informações apuradas, o processo não informa o motivo da retirada de Milton Leite da cadeia nem do encontro na delegacia.
Rampa de acesso à Cadeia Pública de Mogi, onde há suspeita de entrega de objetos para Milton
Dviulgação
Prisão prorrogada
Na quarta-feira (14), a Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (DEM), e dos demais investigados pela Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no setor de transporte público da capital. As informações são da Polícia Civil.
Leite está preso em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, desde 18 de setembro.
Segundo os investigadores, ele seria responsável diretamente pela operação de algumas empresas que estariam sob controle do PCC, além de ser o dono de fato da Transwolff.
Como investigação sobre envolvimento do PCC no transporte público chegou ao ex-vereador Milton Leite
Fantástico
Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande, Danilo Marco Morgado Silva (PL), estão entre os nomes listados pela Polícia Civil dentro da operação.
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Reprodução
Milton diz que é inocente
Na saída para o IML ainda na sexta (18), Milton Leite falou com a imprensa e afirmou ser inocente das acusações: "Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito", afirmou.
Questionado se se arrependia de alguma coisa, respondeu:
"Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo."
Em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (19), Alexandre Leite, um dos filhos do ex-vereador, comentou o caso:
"Consideramos essa medida extremamente injusta, mas cabe aos advogados fazer a defesa jurídica. Vejo como uma boa oportunidade de passar essa história a limpo e colocar um ponto final, para que ela não seja reverberada a cada dois anos ou a cada período eleitoral".
*Sob supervisão de Cíntia Acayaba
Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia de SP sob suspeita de ligação com o PCC