O que é América? 'Professor' Bad Bunny dá aula no Super Bowl e ensina lição básica de história e geografia

  • 10/02/2026
(Foto: Reprodução)
Bandeira do Brasil aparece entre outras das Américas no show de Bad Bunny no Super Bowl Mike Blake/Reuters No domingo (8), o gesto de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, ao listar países da América Latina e afirmar que “América” não se resume aos Estados Unidos, ecoa um debate que já faz parte do currículo escolar brasileiro. "Deus abençoe a América", disse o artista em inglês, reproduzindo a frase patriótica comumente usada pelos estadunidenses. Em seguida, ele aproveitou para definir América: "Ou seja: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia..." e citou todos os países do continente americano, incluindo Estados Unidos e "minha terra mãe, Porto Rico". BNCC prevê ensino da América como continente Se o show e a "aula" enfureceram o presidente Donald Trump, por outro lado não teve contradição com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): o documento que determina o que é ensinado nas escolas do Brasil determina que a ideia de América seja ensinada como um continente diverso, formado por múltiplas histórias, identidades e relações de poder e não como sinônimo de um único país. "Nos Estados Unidos, muita gente confunde a noção de América com o próprio país, quando, na verdade, isso é resultado da forma como aprenderam", explica Paulo Rogério Andrade, professor de História e diretor do Cubo Global School. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para o educador Tarso Loureiro, coordenador de projetos de integração curricular, diversidade é o recado mais potente na mensagem de Bad Bunny. "A percepção de que o continente americano é um continente extremamente diverso: é diverso do ponto de vista geográfico, é diverso do ponto de vista histórico, é diverso do ponto de vista étnico", afirma o educador. Na mesma direção, o professor Paulo Rogério Andrade afirma que reconhecer a diversidade do continente impacta diretamente a formação, a identidade e o senso de pertencimento dos estudantes, não apenas em relação à América. "Quando percebemos a riqueza da América, estamos falando de aspectos geográficos, climáticos, mas também culturais e econômicos, inclusive nos eixos de identidade e diversidade presentes na BNCC (Base Nacional Comum Curricular)", afirma Andrade. No ensino de História, a BNCC prevê que os alunos analisem os processos de inclusão e exclusão de populações nas nações que se formaram nas Américas ao longo dos séculos XIX e XX. A proposta é mostrar que a construção desses países não foi homogênea: diferentes grupos sociais e étnicos tiveram papéis distintos nas independências e, depois delas, enfrentaram trajetórias desiguais de pertencimento e reconhecimento. Bad Bunny com a bandeira de Porto Rico Foto/AP Photo/Mark J. Terrill O currículo também propõe que estudantes conheçam os protagonismos de grupos diversos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. Ao trazer esses sujeitos para o centro da narrativa, a BNCC busca ampliar a noção de quem “fez” a história das Américas e questionar visões simplificadas que costumam privilegiar apenas líderes políticos ou elites. De acordo com Tarso, no Brasil é comum, na língua portuguesa, a utilização do termo “americano” para se referir às pessoas dos Estados Unidos, mas a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os elementos culturais que formam a sociedade brasileira fazem com que a confusão entre “América” e “Estados Unidos” não seja frequente. Segundo ele, há uma percepção clara que, em geral, deve ser vivida e interpretada de maneira crítica no país. Outro eixo importante é o enfrentamento dos legados da escravidão e do pós-abolição. A BNCC orienta que os alunos discutam como a herança do sistema escravista moldou as sociedades americanas e como os processos de inserção de populações negras após a abolição foram marcados por desigualdades persistentes. Ao relacionar essas marcas do passado com estruturas sociais atuais, o currículo convida a refletir sobre pertencimento, cidadania e exclusão no presente. ➡️No caso dos povos indígenas, o documento inclui o estudo das políticas oficiais que promoveram tutela, silenciamento de saberes e até a destruição de comunidades ao longo do século XIX, além das resistências a essas ofensivas. Essa abordagem ajuda a entender como a ideia de “integração” nas Américas muitas vezes se deu à custa da negação de identidades e territórios, deixando marcas profundas nos processos de formação nacional. “Os termos ‘América’ e ‘África’, assim como as noções de ser ‘americano’ ou ‘africano’, são categorias eurocêntricas, criadas pelos colonizadores, e é importante que a escola reconheça essa origem sem negar a identidade latino-americana”, explica o educador Tarso. A BNCC também propõe analisar, no 8º ano, as relações entre os Estados Unidos e a América Latina no século XIX. O tema permite discutir assimetrias de poder no continente e como projetos políticos e interesses externos influenciaram caminhos de soberania e pertencimento regional. Ao articular esses conteúdos, o currículo escolar oferece ferramentas para que os estudantes compreendam a América como um espaço plural, marcado por encontros, conflitos e disputas de sentido. É nesse terreno que a fala de Bad Bunny ganha ressonância: mais do que um gesto simbólico no palco, ela dialoga com uma visão de continente que a escola brasileira é chamada a construir — diversa, atravessada por desigualdades e em permanente negociação de identidades. Trump diz que show de Bad Bunny no Super Bowl é "afronta à grandeza dos EUA"

FONTE: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/02/10/o-que-e-america-bad-bunny-da-aula-no-super-bowl-e-ensina-licao-basica-de-historia-e-geografia.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes