O horário de Brasília é, na verdade, carioca; entenda como funcionam os relógios atômicos do Observatório Nacional

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
O horário de Brasília é, na verdade, carioca; entenda A maior parte dos relógios do Brasil estão acertados para marcar o horário de Brasília. Mas de Brasília, o fuso só tem o nome. Isso porque os quatro horários do país são gerados no Rio de Janeiro, pelos relógios atômicos do Observatório Nacional. Quando a Divisão de Serviços da Hora Legal Brasileira foi fundada, junto com o Observatório, por D. Pedro I, em 1827, a medição do tempo era feita pela observação dos astros. Mas, desde os anos 70, o Brasil adquiriu equipamentos mais modernos e, hoje, é capaz de medir a hora com uma precisão de um quatrilionésimo de segundo. Essa fração é chamada de fentosegundo. O g1 conversou com Ricardo José de Carvalho, engenheiro de sistemas e chefe da divisão, para entender como funciona sistema que conta com dez relógios atômicos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Do tempo astronômico ao tempo atômico "Em 1967, houve uma transição da definição do segundo. Ele saiu do tempo astronômico e passou para o tempo atômico", explicou Carvalho. "Isso foi feito através de pesquisa, que começou em 1947, mais ou menos, quando foi feito um oscilador de Césio-133." Carvalho explica que o Césio - 133 é a única configuração estável do átomo, e ele funciona como uma espécie de pêndulo do relógio. Os equipamentos são compostos por um tubo, onde é gerado um feixe em que o átomo passa, de um lado para o outro. Essa frequência estimula um componente de quartzo, como o usado em relógios comuns, e é traduzida em sinais elétricos. A frequência do átomo é tão estável que chega a ser mais precisa do que o movimento da Terra. Ricardo explicou que um dia não tem exatamente 24h, porque a rotação da terra tem variações, então as vezes, os equipamentos precisam ser ajustados. Muito diferente do Césio-137, por exemplo, que é radioativo, o átomo presento nos relógios atômicos não apresenta risco. Mas, mesmo assim, a Divisão não confia em um único equipamento. A hora que é gerada pelo departamento é uma média dos dez relógios atômicos. Os sinais são monitorados, em tempo real, por um sistema que, por meio de uma equação matemática, calcula o resultado. Os relógios estão acertados para medir a hora zero, como é chamado o fuso que corresponde ao Meridiano de Greenwich, linha imaginária que divide os hemisférios oriental e ocidental. A partir desse dado, são medidas a hora de Fernando de Noronha (-2), de Brasília (-3), do Amazonas (-4) e do Amazonas (-5) - todas no Rio de Janeiro. Do observatório até o seu relógio Ricardo também explicou que a maior parte dos sistemas operacionais de smartphones não usam a Hora Legal Brasileira como referência. Mas setores econômicos e sociais que dependem de marcação precisa do tempo, como os bancos ou o judiciário, contratam o serviço. Para cidadãos ele é gratuito. Quem quiser acertar seus relógios, pode verificar a hora pelo site da Divisão. Servidor checando os aparelhos de transmissão da hora no Observatório Nacional Gabriela Wolynec/g1 Observatório Nacional, no Rio Gabriela Wolynec/g1

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/07/entenda-como-funcionam-os-relogios-atomicos-do-observatorio-nacional.ghtml


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