'Necrotour': passeio por cemitério em Vitória atrai turistas e revela histórias da cidade
25/06/2026
(Foto: Reprodução) Túmulo da cigana Adélia Kostik recebe oferendas e agradecimentos por graças alcançadas em Vitória/Espírito Santo
Divulgação/Michele Turismo
Uma maneira pouco convencional de conhecer Vitória tem despertado a curiosidade de turistas e moradores no Espírito Santo: o necrotour. A modalidade de turismo convida os visitantes a percorrer cemitérios em busca de cultura e memória de personagens que ajudaram a construir a capital.
Entre lápides, mausoléus e túmulos que ficam no Cemitério de Santo Antônio, um dos mais tradicionais da cidade, o passeio revela históricas, curiosidades e detalhes da vida de personalidades enterradas no local e que deixaram marcas na sociedade.
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A primeira edição da visita guiada aconteceu no último sábado (20) e reuniu mais de 50 pessoas, inclusive crianças, com todas as vagas esgotadas. Segundo os organizadores do evento, a iniciativa surgiu inspirada em outras capitais que já realizam esse tipo de passeio.
A excursão é conduzida por um historiador e um guia de turismo credenciado, que apresentam o contexto histórico do cemitério, curiosidades sobre os túmulos, personagens importantes da cidade e a importância da preservação da memória.
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E antes que os curiosos fiquem com medo de andar entre os mortos, aí vai um recado muito importante: o passeio turístico é realizado durante o dia, para não dar brecha para imaginações.
Segundo a guia de turismo Rute Menezes, a proposta não é falar sobre a morte de forma mórbida, mas mostrar como esses espaços guardam histórias de vida, cultura e identidade de uma sociedade.
“Queremos contar a história do local em que vivemos hoje pelas pessoas que construíram tudo isso. E o Cemitério de Santo Antônio foi o escolhido porque reúne elementos que contam a trajetória da capital”, destacou.
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Túmulo de Nilson Freitas, remador reconhecido no Espírito Santo, foi homenageado com um monumento em forma de navio
Reprodução/TV Gazeta
No Brasil e no mundo
A iniciativa foi criada pela empresária responsável pelo projeto após participar de necrotours em outras capitais no fim de 2024. Ao perceber que esse tipo de turismo ainda não era explorado oficialmente no Espírito Santo, decidiu adaptar o formato para a realidade capixaba.
Exemplos conhecidos estão em Paris, na França, no Cemitério Père-Lachaise; em Buenos Aires, Argentina, no Cemitério da Recoleta; em Londres, no Reino Unido, no Cemitério Highgate; nos Estados Unidos, no Arlington National Cemetery, em Washington; e em Viena, na Áustria, no Central Cemetery.
"A ideia, que já existe em outros estados brasileiros, chegou ao Espírito Santo após uma pesquisa para avaliar a possibilidade de trazer a experiência para o estado. Isso é muito importante para a preservação da memória", afirmou a guia de turismo Rute Menezes.
História
Em Vitória, o Cemitério de Santo Antônio foi o escolhido pela relevância histórica para a cidade. Segundo a prefeitura, o bairro Santo Antônio foi escolhido, ainda no final do século XIX, para abrigar cemitérios devido à localização.
O Cemitério de Santo Antônio foi construído no século XIX, com a proibição de enterros em igrejas, mas ganhou mais importância no século XX. Em 1911, foi inaugurado o serviço de bondes elétricos, com duas linhas, uma de Santo Antônio ao Suá, outra que unia a Cidade Alta à Cidade Baixa.
No dia 1º de maio de 1912, foi aberto o Cemitério de Santo Antônio, quando foi feito um enterro com bonde, além de um carro levando o caixão e, outro, os acompanhantes.
Túmulo do menino Fernandinho é um dos mais visitados no cemitério de Santo Antônio, no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Personalidades no local
Entre as pessoas enterradas no local, estão o deputado Darcy Castello de Mendonça, cujo nome foi usado para homenagear uma grande obra de engenharia no Espírito Santo: a Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha.
Além dele, também estão no local o monumento a Henrique Moscoso, que contribuiu com o desenvolvimento do estado e deu nome ao Parque Moscoso, no Centro da capital.
Outra tradição é relacionada a cigana Adelia Kostik, que morreu em 1955. Até hoje, o túmulo dela recebe visitantes que levam presentes para agradecer por pedidos alcançados. "É, com certeza, o ponto mais visitado do cemitério", destacou a guia de turismo Rute Menezes.
Túmulo de Adelia Kostik recebe oferendas de pessoas que desejam agradecer por graças alcançadas no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Próximas edições
As próximas edições do Necrotour estão previstas para os dias 11 e 12 de julho, às 14h, com encontro na portaria do Cemitério Santo Antônio. O investimento começa em R$ 25 por pessoa e inclui o tour histórico guiado e a condução de profissionais especializados.
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As informações sobre o tour estão disponíveis nas redes sociais e no site da empresa. Acesse aqui.
Grupo de mais de 50 pessoas visitou o cemitério de Santo Antônio, emn Vitória
Divulgação/Michele Turismo
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