Na fronteira do Acre, trabalhadores bolivianos cobram pagamento de salários atrasados em protesto
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Protesto de trabalhadores deixa em alerta bloqueio de ponte que liga o Acre a Cobija
A mobilização de trabalhadores bolivianos em Cobija, cidade da Bolívia que faz fronteira com Brasiléia e Epitaciolândia, no interior do Acre, gerou alerta sobre a trafegabilidade nas pontes que ligam os dois países nesta sexta-feira (13), em razão da ameaça de fechamento da passagem por tempo indeterminado.
O protesto, que gerou o bloqueio temporário da passagem no início da manhã, foi organizado por sindicatos e servidores públicos do departamento de Pando, na Bolívia. A categoria cobra o pagamento de salários atrasados e afirma que há trabalhadores que estão há mais de três meses sem receber.
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De acordo com os manifestantes, representantes dos trabalhadores tentam diálogo com o ministro da Economia da Bolívia para chegar a um acordo. A trabalhadora Joana Autalívio Rivera disse que os servidores já tentaram resolver a situação por meio do diálogo, mas não tiveram retorno das autoridades.
“Estamos há dois, três, quatro, até cinco meses sem salário. Como que a gente vai viver? Já tentamos dialogar muitas vezes, mas não tivemos resposta. Por isso nós nos sentimos obrigados a tomar medidas de pressão para conseguir uma solução”, afirmou.
Trabalhadores bolivianos cobram pagamento de salários atrasados
Eldson Júnior / Rede Amazônica
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Segundo ela, os trabalhadores foram convocados pela Central Obrera Boliviana nas primeiras horas da manhã e permanecem mobilizados enquanto aguardam uma resposta do governo local.
“O comandante da polícia conversou conosco e foi decidido fazer um intervalo enquanto acontece a reunião com o ministro. Estamos esperando uma resposta favorável para decidir os próximos passos”, acrescentou.
Ponte de Brasiléia que faz fronteira com a Bolívia
Eldson Júnior / Rede Amazônica
O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Cobija, Pedro Tavarez, afirmou que a mobilização busca chamar atenção para a situação dos servidores e pediu compreensão aos brasileiros que utilizam a travessia.
“Pedimos desculpas à população brasileira por estarmos com essa medida de pressão. Ela é motivada por essa questão política, mas é a nossa forma de mostrar indignação com a falta do nosso salário, que vem se arrastando no município. Eles argumentam que o Ministério da Economia não está cumprindo com o compromisso de enviar o dinheiro que corresponde ao pagamento dos nossos companheiros de trabalho”, disse.
A ponte internacional faz parte da rotina de moradores da região de fronteira. Com receio de um possível bloqueio, muitos brasileiros que estudam ou trabalham em Cobija já optaram por atravessar a fronteira a pé.
A estudante de medicina Taynara Machado disse que a situação preocupa quem depende da travessia diária entre os dois países.
“É muito difícil, porque a gente precisa atravessar cedo todos os dias. Muitas vezes temos que ir a pé, com mochila pesada, para conseguir chegar na faculdade”, completou.
Divisa de Epitaciolândia com a Bolívia
Eldson Júnior / Rede Amazônica
VÍDEOS: g1