Mortes no Hospital Anchieta: família de vítima desconfiou de erro médico; 'Todo mundo achou estranho', diz filha

  • 20/01/2026
(Foto: Reprodução)
Três técnicos de enfermagem são presos por provocarem a morte de pacientes na UTI do Hospital Anchieta A família de um dos pacientes que podem ter sido assassinados no hospital Anchieta em Taguatinga, no Distrito Federal, afirmou à TV Globo que já tinha desconfiado das circunstâncias da morte da vítima. João Clemente Pereira tinha 63 anos, morava no Riacho Fundo I e era servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). Ele deu entrada no hospital Anchieta em 4 de novembro com tonturas e precisou drenar um coágulo na cabeça. Teve complicações respiratórias, passou por uma traqueotomia e foi para a UTI para se recuperar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Segundo a família, o quadro de saúde vinha melhorando. Mas em 17 de novembro, 13 dias após chegar ao hospital, João teve uma parada cardíaca e morreu na UTI. "Todo mundo achou estranho porque ele entrou com um problema na cabeça, não era nada no coração. Ele fazia acompanhamento médico, então a gente sabia que não tinha nada que justificasse uma parada cardíaca", afirma a filha de João, Valéria Pereira. "Eu cheguei a pedir o prontuário ao hospital antes de saber de tudo isso. Porque a gente desconfiou até que poderia ter tido um erro médico, mas nunca que a gente imaginou que seria algo nessa proporção", afirma. João Clemente Pereira, de 63 anos Arquivo Pessoal/Reprodução Três mortes suspeitas O caso de João Clemente é uma das três mortes no hospital Anchieta alvos de uma investigação interna – e, agora, de um inquérito da Polícia Civil. Em todos, um elemento em comum: a atuação de um técnico de enfermagem de 28 anos, que pode ter matado esses pacientes de propósito. Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usando o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia (saiba mais abaixo). De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o técnico de 24 anos chegou a negar o crime em um interrogatório, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram a ação. Técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes são presos no DF Além dele, outras duas ténicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, são acusadas de participarem de dois dos três crimes "dando cobertura". A investigação continua para saber se existem outras vítimas no Anchieta ou em outros hospitais em que o técnico trabalhou. LEIA TAMBÉM: Professora, carteiro e servidor: quem são as vítimas Mortes no Anchieta: veja as datas dos crimes e da investigação em curso Hospital Anchieta em Taguatinga no DF. TV Globo/Reprodução Piora súbita De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores. Nas imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas. As vítimas são: a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I; o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia. As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos Arquivo Pessoal/Reprodução Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem o usou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos. "Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela", disse o delegado Wisllei Salomão. Em outra ocasião, o mesmo técnico, de 24 anos, usou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento. Ele buscou o remédio na farmácia e aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica. A Polícia Civil do DF decidiu não divulgar o nome do medicamento. Duas aplicações foram feitas no dia 17 de novembro do ano passado e, a terceira, no dia 1° de dezembro. Segundo a Polícia Civil, para disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los. Polícia prende técnicos de enfermagem suspeitos de matar 3 pacientes de hospital no DF Os ex-técnicos de enfermagem supostamente envolvidos nos crimes foram demitidos e as famílias das vítimas foram informadas, "prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora" (veja as íntegras das notas abaixo). Prisões De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. A Polícia Civil ainda apura se existem outros casos no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde onde o homem de 24 anos atuou. O que diz o Hospital Anchieta "O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição. Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes. Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026. Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas. O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial. O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça." O que diz o Conselho de Enfermagem "O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do Distrito Federal. Diante da gravidade das informações divulgadas, o Coren-DF esclarece que está acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal. Ressalta-se que o caso também está sob investigação das autoridades competentes e tramita na esfera judicial. Dessa forma, neste momento, não é possível emitir juízo de valor ou qualquer conclusão definitiva, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa dos envolvidos. O Conselho segue compromissado com a segurança do paciente, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/01/20/mortes-no-hospital-anchieta-familia-de-vitima-desconfiou-de-erro-medico-todo-mundo-achou-estranho-diz-filha.ghtml


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