Marina, heliponto e mansões: cidade submersa pelas águas de Furnas vira novo refúgio de milionários em MG

  • 11/04/2026
(Foto: Reprodução)
Guapé, cidade de MG submersa pelas águas de Furnas, vira novo refúgio de milionários Guapé, no Sul de Minas Gerais, tem uma história marcada pela água. Na década de 1960, grande parte do município foi inundada com a formação do Lago de Furnas. Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram. Mais de 60 anos depois, o lago que mudou o território voltou a ganhar protagonismo — desta vez como motor de turismo, investimentos e transformação econômica. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram 📺 Durante duas semanas, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorreram o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostrou a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, foi possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real. 📹 Reveja os bastidores da viagem Guapé (MG) renasce às margens de Furnas e atrai investimentos de alto padrão Divulgação Um município moldado pela água Guapé fica em uma posição singular no Lago de Furnas. É o único município localizado entre os dois maiores rios que formam o reservatório: o Rio Grande e o Rio Sapucaí. “A qualidade da água aqui é extremamente limpa e profunda para navegação. Guapé tem cerca de 220 quilômetros de orla. É um diamante a ser lapidado”, afirma Lenilton Soares, presidente da Associação Guapeense de Turismo (Aguatur). O nome da cidade vem de uma palavra indígena associada a plantas aquáticas, numa referência simbólica aos “caminhos nas águas” — significado que só ganharia dimensão real décadas depois. À beira de Furnas, Guapé (MG) vive boom imobiliário e expansão do turismo Oswaldo Henrique/EPTV 🌊 Parte do município foi inundada nos anos 1960 com a criação do Lago de Furnas 🏠 Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram sob as águas 🔄 Mais de 60 anos depois, o lago deixa de ser símbolo de perda e vira motor de desenvolvimento A chegada de Furnas e o impacto social Com o fechamento das comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas, em 1963, as águas avançaram rapidamente sobre Guapé. Em poucos meses, quase toda a área urbana original foi submersa. Ao todo, cerca de 206 km² do território municipal ficaram debaixo d’água, incluindo as terras mais férteis. “Quando foi anunciado o lago, muita gente não acreditou. Só acreditaram quando viram a água chegando. Foi um momento de desespero”, relembra o escritor e ativista cultural Felipe José Dutra. Segundo ele, o impacto foi profundo, principalmente para uma população majoritariamente pobre. “As pessoas tiveram que desmanchar as próprias casas para reaproveitar o material. A cidade foi reconstruída na resistência. Muita gente perdeu tudo e foi embora. Hoje, a gente costuma dizer que existem mais guapeenses fora de Guapé do que dentro”, explica. Leia também: Engolida pelas águas de Furnas, cidade mineira se reconstrói e busca futuro além da hidrelétrica no turismo ‘Trancosinha’ mineira: conheça o vilarejo no Lago de Furnas que aponta como novo roteiro turístico impulsionado pelas redes sociais Piscicultura, espécies exóticas e poluentes alteram ecossistema do Lago de Furnas; veja os riscos à água e à fauna Diretor Gabriel Villela transforma casa histórica às margens de Furnas em refúgio criativo do teatro brasileiro Conheça 'Gilda', a garça que criou rotina com dona de pousada e aceita peixe na mão no Lago de Furnas Pesca no Lago de Furnas sustenta famílias e impulsiona turismo, mas enfrenta desafios no Sul de Minas Do camping à lancha: 5 rotas para explorar o Lago de Furnas e aproveitar o melhor de cada região Casa no meio da água? Flutuantes viram 'point' e transformam o Lago de Furnas em novo polo de experiências turísticas Furnas: lago criado para ser ‘caixa d’água do Brasil’ tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e 'cidades submersas' De cidade inundada a refúgio de alto padrão: a virada econômica de Guapé (MG) Júlia Reis/g1 Reconstrução e adaptação A nova Guapé foi construída em áreas mais altas, à beira do lago. A cidade passou a ter formato de península, cercada pela água. Mas os primeiros anos foram difíceis. As áreas planas, ideais para agricultura, ficaram submersas. Restaram terrenos de cerrado e encostas, inicialmente pouco produtivos. “Guapé ficou um tempo estagnada, em situação muito difícil. A retomada veio só depois, com a correção do solo, a agricultura moderna e a pecuária”, afirma Felipe Dutra. A partir da década de 1970, a assistência técnica e novas tecnologias permitiram a produção de café, grãos, carne e leite, dando fôlego à economia local. Guapé (MG) transforma passado submerso em ativo turístico e econômico Oswaldo Henrique/EPTV O lago como vocação turística Com o tempo, a relação de Guapé com Furnas passou a mudar. O lago deixou de ser apenas memória de perda e passou a ser visto como ativo natural e econômico. Hoje, o município reúne turismo náutico, pesca autorizada, cachoeiras, trilhas e esportes de aventura. Segundo estimativas da IGR Nascentes das Gerais e Canastra, Guapé recebe de 80 mil a 120 mil visitantes por ano. “O potencial turístico de Guapé é enorme. Além da água, temos agroturismo, pequenas propriedades e agora também o enoturismo”, destaca Lenilton Soares. 🔁 Furnas deixou de ser só memória de perda e virou oportunidade 👥 Guapé recebe entre 80 mil e 120 mil visitantes por ano 🍇 Além da água, cresce o agroturismo e o enoturismo Empreendimentos de alto padrão e novo perfil de visitante Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, Guapé passou a atrair um novo público. Pessoas de grandes centros urbanos buscam tranquilidade, natureza e qualidade de vida — muitas delas como investidores. “Esse crescimento mais estruturado e voltado ao alto padrão ficou muito evidente nos últimos anos. Hoje temos compradores de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até do exterior”, explica a corretora Flávia Rangel, que atua no mercado imobiliário local. Turismo, natureza e luxo: Guapé (MG) entra na rota de investidores do Sudeste Divulgação Empreendimentos com marinas privativas, aeródromos e helipontos passaram a fazer parte do cenário. “O cliente hoje consegue chegar de lancha, helicóptero ou avião”, afirma Flávia. “Isso posiciona Guapé como um destino muito mais completo dentro do Lago de Furnas.” 🏙️ Investidores de SP, BH, RJ e até do exterior descobrem Guapé ✨ Empreendimentos com marinas, helipontos e aeródromos 🚁 Visitantes chegam de lancha, helicóptero ou avião 📈 Lotes dobraram de valor em poucos anos Economia aquecida e efeitos locais A movimentação já impacta a economia. A construção civil cresce, bares, restaurantes e pousadas se fortalecem, e novas funções surgem no mercado de trabalho local. “Esse mercado de alto padrão simplesmente não existia aqui dez anos atrás. “Hoje, a procura explodiu. Lotes que custavam R$ 80 mil há três anos já foram negociados por R$ 160 mil.””, conta o corretor Éverton Rubens Teixeira. Segundo ele, além da valorização imobiliária, surgiram novas oportunidades. “Hoje tem piloto de lancha, jardineiro, camareira, aluguel por temporada, marina. O lago está em movimento o tempo todo.” Guapé (MG), cidade reconstruída após inundação, agora aposta no alto padrão e na natureza Divulgação Crescimento e planejamento O avanço também desperta preocupação com infraestrutura, custo de vida e planejamento urbano. A prefeitura afirma que acompanha o crescimento com cautela. “O desenvolvimento é bem-vindo, gera emprego, renda e divulga Guapé, mas precisa acontecer com equilíbrio. O nosso compromisso é garantir que quem já vive aqui cresça junto, com dignidade e qualidade de vida”, afirma o prefeito Pedro Luis Simões (PL). Segundo ele, antes de grandes novos projetos, a prioridade é estruturar a cidade. “Estamos organizando a casa, investindo em acessos, saúde, infraestrutura e planejamento urbano. O crescimento precisa ser seguro e sustentável.” Com marinas e helipontos, Guapé ganha destaque no turismo de luxo em Minas Gerais Divulgação 🕯️ Guapé carrega duas cidades: a submersa e a reconstruída 🌊 O lago que causou ruptura virou um dos maiores ativos do município 🔗 Desafio atual: unir desenvolvimento, preservação e história 🚀 A cidade transforma sua geografia única em oportunidade de futuro Entre memória, água e futuro Guapé hoje carrega duas cidades em sua história: a que ficou sob as águas e a que surgiu depois delas. O lago que provocou uma das maiores rupturas do município virou também um dos seus principais ativos. “Furnas foi uma ruptura completa. A cidade teve que mudar até a forma de enxergar o mundo”, resume Felipe Dutra. Entre memórias submersas e novos empreendimentos à beira d’água, a cidade segue tentando transformar sua geografia única em desenvolvimento com planejamento, preservação e identidade. Infográfico - Usina de Furnas em números Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/04/11/marina-heliponto-e-mansoes-cidade-submersa-pelas-aguas-de-furnas-vira-novo-refugio-de-milionarios-em-mg.ghtml


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