Isenção de impostos em MG chega a R$ 19,4 bi em 2025 e supera gastos em saúde; governo diz que benefícios geram renda

  • 23/06/2026
(Foto: Reprodução)
Cidade Administrativa de Minas Gerais, sede do governo do estado Raquel Freitas/TV Globo O governo de Minas Gerais abriu mão de arrecadar R$ 19,4 bilhões em imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) em 2025 por meio de benefícios fiscais concedidos a 4.101 empresas, o maior volume já registrado desde o início da série histórica no estado. Houve um crescimento de 462% em relação a 2016, quando a chamada renúncia fiscal somava R$ 3,4 bilhões. Os dados fazem parte de uma planilha com o nome e o CNPJ de cada beneficiário e os respectivos valores, divulgada pela Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) nesta terça-feira (23) após determinação judicial e anos de resistência à publicização das informações (entenda abaixo). Antes da intervenção do Judiciário, o governo apenas publicava o montante total das isenções, sem discriminar quem foi beneficiado e o quanto ficou isento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp A SEF argumenta, por outro lado, que os benefícios retornam à economia: segundo estudo encomendado pela própria pasta, cada R$ 1,00 renunciado gerou R$ 1,23 no PIB estadual e R$ 1,26 de volta em arrecadação de ICMS em 2024 (saiba mais abaixo). Em nota, reforçou que "busca aprimorar continuamente o acesso público às informações, respeitando a legislação de proteção de dados vigentes". O valor da renúncia em 2025 foi maior que os R$ 12,6 bilhões empenhados para o Fundo Estadual de Saúde -- instrumento que centraliza os recursos financeiros do estado destinados a financiar ações, programas e serviços públicos de saúde em Minas Gerais -- ao longo do ano passado. Empresas de grande porte e multinacionais dominam o topo da lista das maiores beneficiárias. Só a maior delas, do setor de bebidas, projeta receber R$ 1,5 bilhão em benefícios para este ano. Entre os setores mais beneficiados estão o de bebidas, o de cigarros, o de siderurgia e metalurgia, o automotivo e o de logística. A maior parte das empresas recebe os benefícios na modalidade de crédito presumido de ICMS, que funciona como um desconto calculado sobre o valor do imposto que seria pago. Minas abre 2026 sem dinheiro em caixa Como funciona o benefício O ICMS é um imposto estadual que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços — na prática, sobre quase tudo que é produzido, distribuído ou vendido dentro de Minas Gerais. Para atrair ou manter empresas no estado, o governo concede regimes especiais de tributação (RET): em vez de pagar o imposto cheio, a empresa paga uma alíquota reduzida ou recebe de volta parte do que foi recolhido. A diferença entre o que deveria entrar nos cofres públicos e o que efetivamente entra é a renúncia fiscal. Atualmente, a SEF tem 77 tratamentos tributários setoriais padronizados, cada um com regras próprias para um segmento econômico: de bebidas a eletrônicos, de cosméticos a siderurgia. As empresas solicitam a adesão por sistema digital, e a concessão é decidida por uma Comissão de Política Tributária da secretaria, com participação do secretário da Fazenda. O crescimento ano a ano A renúncia fiscal saiu de R$ 3,4 bilhões em 2016 para R$ 14,5 bilhões em 2023, com crescimento em todos os anos do período. Em 2024, chegou a R$ 17 bilhões, e a projeção para 2025 é de R$ 19,4 bilhões. No acumulado de 2016 a 2024, o estado deixou de arrecadar R$ 81,5 bilhões. O setor com maior volume histórico é o de bebidas, com R$ 10,5 bilhões acumulados entre 2016 e 2023 (16% do total). Em segundo, siderurgia e metalurgia, com R$ 7,7 bilhões, e o maior crescimento do período, de 879% em valores nominais. O que diz o governo A SEF encomendou ao Cedeplar/UFMG dois estudos que concluem que as renúncias de 2024 contribuíram com 1,98 ponto percentual do PIB mineiro naquele ano, estão associadas a 381 mil postos de trabalho formais e retornam R$ 1,26 em arrecadação de ICMS para cada real renunciado. O estudo, porém, ressalva que não considera o que o governo deixou de fazer com o dinheiro não arrecadado: investimentos em saúde, educação ou infraestrutura, por estar fora do escopo da pesquisa. Em nota, o governo de Minas informou que a lista de beneficiários dos regimes especiais e os estudos de impacto da política fiscal já estão disponíveis no Portal da Transparência. A gestão estadual completou, ainda, que busca aprimorar continuamente o acesso público às informações, respeitando a legislação de proteção de dados vigentes. A briga no Judiciário pela lista nominal Em julho de 2025, a deputada Lohanna França (PV) solicitou a lista completa das empresas beneficiadas de 2015 a 2024, com CNPJs e valores individuais. A SEF negou duas vezes, classificando os dados como "ultrassecretos". A deputada ajuizou mandado de segurança, argumentando que a legislação federal determina expressamente que não é vedada a divulgação de informações sobre benefícios fiscais quando o beneficiário é uma empresa, e que essa norma prevalece sobre qualquer restrição estadual. Entre março e maio de 2026, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais notificou o superintendente de Arrecadação da SEF para prestar as informações detalhadas sobre as empresas beneficiadas ao juízo, em prazo que chegou ao fim nesta terça-feira (23). O processo segue em tramitação. Vídeos mais assistidos do g1 MG

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/06/23/isencao-de-impostos-em-mg-chega-a-r-194-bi-em-2025-e-supera-gastos-em-saude-governo-diz-que-beneficios-geram-renda.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes