Fim do New START: Rússia lamenta, EUA 'em silêncio' e ONU fala em 'momento grave'; veja repercussão
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Míssil intercontinental balístico russo Yars é lançado em exercício de guerra nuclear em Plesetsk, em 2022
Ministério da Defesa da Rússia/AP Photo
O fim do tratado nuclear New START entre EUA e Rússia nesta quinta-feira (5) causou reações de diversos atores mundiais em meio a temores por uma corrida nuclear. Veja abaixo as reações de Rússia, EUA, China, União Europeia, ONU e até do papa Leão XIV.
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O tratado New START era importante porque estabelecia limites para o número de ogivas nucleares estratégicas que os EUA e Rússia poderiam manter prontas para uso em seus arsenais, e também impunha regras à implantação de mísseis balísticos intercontinentais e armamentos capazes de disparar ogivas nucleares. (Leia mais abaixo)
Rússia
O Kremlin novamente lamentou nesta quinta-feira o fim do tratado. Ao mesmo tempo, o vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dimitri Medvedev, disse na quarta que "o inverno está chegando" —uma provocação aos EUA. Na terça, o governo russo afirmou estar pronto para um “novo mundo” sem limites para armas nucleares.
Estados Unidos
O governo Trump ainda não se manifestou após o tratado New START ter expirado nesta madrugada até a última atualização desta reportagem.
Em coletiva de imprensa na quarta, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que qualquer novo acordo nuclear com a Rússia deve incluir também a China, devido ao seu "arsenal considerável e em rápida expansão", ecoando a posição de Trump.
No início de janeiro, Trump falou brevemente sobre o tratado em entrevista ao jornal "The New Tork Times": "Se expirar, expirou".
O Departamento de Estado dos EUA, que no texto do New START em seu site afirmou considerar o tratado como fundamental para obter informações críticas sobre o programa nuclear russo, não emitiu um comunicado oficial sobre o vencimento do tratado.
União Europeia
A União Europeia pediu nesta quinta-feira que todos os lados exerçam moderação neste momento.
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China
A China, tida por especialistas ouvidos pelo g1 como um pivô do fim do New START pela rápida expansão de seu arsenal nuclear, lamentou nesta quinta-feira (5) o vencimento do tratado.
O porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que a China compartilha da preocupação da comunidade internacional por possíveis impactos negativos na ordem nuclear global. Jian também pediu aos EUA que "deem uma resposta ativa" à situação atual e regome os diálogos com a Rússia.
ONU
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou na quarta-feira que o fim do New START representa um "grave momento" para a paz e para a segurança internacional. “Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculantes aos arsenais nucleares estratégicos” dos dois países, afirmou Guterres.
Papa Leão XIV
O papa Leão XIV pediu na quarta-feira que EUA e Rússia renovem seu acordo nuclear e disse que a atual situação mundial "exige que se faça todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista".
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O que é o New START?
Infográfico mostra capacidades nucleares de EUA e Rússia e histórico do tratado New START.
Kayan Albertin/Arte g1
O New START é o último tratado de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares do mundo. O acordo foi assinado em 2010 pelo próprio Medvedev, que era presidente da Rússia na época, e Barack Obama.
O tratado entrou em vigor em 2011 e foi estendido em 2021 por mais cinco anos, após a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos.
Pelo acordo, Moscou e Washington se comprometem a não implantar mais de 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance.
O texto também prevê inspeções mútuas. Cada país pode realizar até 18 inspeções anuais em locais estratégicos de armas nucleares. As inspeções foram suspensas em março de 2020, durante a pandemia da Covid-19.
As negociações para retomar as inspeções estavam previstas para novembro de 2022, no Egito, mas foram adiadas pela Rússia e não houve definição de nova data.