Famílias desabrigadas pela enchente do Rio Juruá aguardam retorno para casa no Acre: 'Já chorei tanto'

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Cheia no Rio Juruá: nível do rio começa abaixar, mas segue acima da cota de transbordo Apesar de ainda estar acima da cota de transbordo, que é de 13 metros, o nível do Rio Juruá começou a baixar em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, e marcou 13,58 metros na medição das 6h desta terça-feira (7). Em 24 horas, o manancial reduziu 26 centímetros e famílias seguem no aguardo da liberação da Defesa Civil municipal para retornarem às suas casas. 👉 Contexto: a cheia do manancial afeta bairros e comunidades do município e fez com que 59 famílias fossem levadas a abrigos montados na cidade, bem como outras três levadas a casa de parentes. No total, cerca de 28.350 pessoas foram afetadas, direta ou indiretamente, o que totaliza 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas. Em razão desta situação, o governo estadual decretou emergência no domingo (5). 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Embora o rio esteja em redução, as famílias que estão em abrigos ainda não têm previsão de retorno para a casa. No entanto, outras permaneceram mesmo diante dos riscos. Este é o caso do aposentado Manoel Edson, do bairro da Lagoa, um dos mais afetados pela cheia. “Se eu sair daqui, não encontro nem a telha”, afirmou. Moradoras do bairro da Lagoa, em Cruzeiro do Sul, esperam voltar para casa com vazante do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul Reprodução/Rede Amazônica Acre LEIA TAMBÉM: Acre decreta situação de emergência em seis municípios devido às cheias de rios Com quase 60 famílias em abrigos, nível do Rio Juruá começa a baixar em Cruzeiro do Sul A diarista Gleiciane Silva também mora no bairro da Lagoa com o filho de 6 anos e, há mais de cinco dias, convive com água dentro de casa. Ela precisou encontrar meios para elevar a geladeira, o fogão, a cama e outros itens de casa para evitar prejuízos. No entanto, mesmo não tendo acionado a Defesa Civil inicialmente, se viu na necessidade de pedir ajuda após a visita de uma equipe de apoio. O filho dela também estava doente após ter caído na água e isto também influenciou na decisão dela. “É porquê não tem para onde ir, eu estava sem dinheiro até para pagar carro e nem para comprar uma água eu tinha. Então, era ficar aqui mesmo. Deus me livre, já chorei tanto”, contou, emocionada. Para a empregada doméstica Maria Darclei Araújo, que já está em um dos abrigos da prefeitura, a maior vontade no momento é retornar para casa. “Esperamos voltar logo para a nossa casa, porque temos que trabalhar, a gente trabalha”, afirmou. Apesar do recuo do nível do Rio Juruá, 62 famílias continuam fora de casa Carla Carvalho/Rede Amazônica Acre A cota de transbordo foi ultrapassada na última segunda-feira (30) e o manancial está nesta situação há mais de uma semana. Na última sexta (3), o rio havia registrado 14,10 metros e, naquela ocasião, 19,6 mil pessoas estavam afetadas. Esta já é a quarta vez que o rio transborda somente este ano. A remoção dos moradores teve início na tarde de terça (31). No abrigo é fornecido café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica para 186 famílias. O abastecimento de água potável também foi interrompido. “As famílias são afetadas de diversas formas, o posto de saúde da localidade para de funcionar, as escolas também param de funcionar, as vias de acesso ficam inundadas”, informou o diretor de desastre da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Iranilson Neri. No último domingo (5), a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh) enviou 200 cestas básicas e 100 colchões para atender a população em vulnerabilidade, incluindo famílias desabrigadas e indígenas. Foram definidos como abrigos pela prefeitura: Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão; Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves; Escola Padre Arnoud, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças; Escola Thaumaturgo Azevedo, no bairro do Alumínio; Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo; e Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal. Remoção das famílias teve início na última terça-feira (31), em Cruzeiro do Sul (AC) Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros. A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também apresentam elevação no nível das águas. Os locais atingidos pelas águas na zona urbana são: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa. Já as comunidades rurais afetadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia, Ramal do Escondido, Boca do Moa, Tatajuba, Mujú e Uruburetama. As vilas afetadas são: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa. Abastecimento de água Além das remoções e com a elevação do Rio Juruá, o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) fez, na última sexta-feira (3), uma ação emergencial para garantir o abastecimento de água potável às famílias afetadas. A distribuição foi feita por caminhão-pipa no bairro da Várzea, uma das regiões atingidas. Segundo o órgão, o fornecimento pela rede pública é interrompido em áreas alagadas para evitar a contaminação da água tratada. Nesses casos, o abastecimento alternativo é adotado para garantir água segura para consumo e uso doméstico. Por conta da cheia do Rio Juruá famílias afetadas precisaram receber água potável Assessoria Saneacre Decreto de emergência Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) do último domingo (5). O decreto cita emergência de nível 2 e abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. Após a publicação, a medida segue para reconhecimento pelo governo federal. Estes municípios estão com os respectivos rios em situação de emergência, atingindo a cota de alerta ou transbordamento, ou em estado de atenção por receberem influências de outros mananciais. Rio Juruá já atinge mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul Cheias recentes No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo. Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia. A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais. Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural. Cheia do Rio Juruá em janeiro de 2026 em Cruzeiro do Sul, interior do Acre Carla Carvalho/Rede Amazônica Reveja os telejornais do Acre Reveja todos os vídeos exibidos pelo Bom Dia Acre, JAC1 e JAC2| em G1 / AC / Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/04/07/familias-desabrigadas-pela-enchente-do-rio-jurua-aguardam-retorno-para-casa-no-acre-ja-chorei-tanto.ghtml


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