'Exército' de mascarados: o que o ICE alega para esconder o rosto de agentes de imigração e por que isso é perigoso

  • 03/02/2026
(Foto: Reprodução)
Jornalista relata contratação-relâmpago pelo ICE As operações conduzidas pelo Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) têm sido alvo de polêmicas nas últimas semanas, após duas mortes de cidadãos americanos e episódios de violência contra manifestantes que se opõem às ações. Mas outro fator também tem chamado a atenção: as máscaras usadas pelos agentes. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: Agentes do ICE estão sendo empregados pelo governo de Donald Trump para procurar imigrantes em situação irregular e detê-los. Os alvos, em geral, são as chamadas “cidades-santuário”, que concentram grande número de estrangeiros. Segundo o governo, o ICE não precisa de mandados judiciais para prender imigrantes que vivem ilegalmente no país. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) afirma que os agentes estão autorizados a deter qualquer pessoa suspeita de estar em situação irregular. O órgão diz ainda que todos os estrangeiros que violarem a lei de imigração dos EUA estão sujeitos à prisão, mesmo sem antecedentes criminais. De acordo com o governo americano, os agentes do ICE também estão autorizados a usar máscaras para evitar serem reconhecidos por civis e terem dados pessoais expostos. O argumento é que as famílias dos servidores poderiam ser colocadas em risco. “Todos os agentes do ICE portam distintivos e credenciais e se identificam quando necessário para a segurança pública ou por exigência legal”, justifica o governo. Na prática, no entanto, há denúncias de pouca transparência no trabalho dos agentes de imigração. Um artigo publicado pela organização Human Rights Watch (HRW), em dezembro, aponta que a falta de identificação abre margem para abusos. A organização afirma ter entrevistado 18 pessoas que foram presas ou testemunharam prisões feitas pelo ICE desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025. “Todas descreveram os incidentes como assustadores, com sensação de impotência diante de possíveis abusos, especialmente por se tratarem de agentes não identificáveis”, diz o relatório. Segundo Belkis Wille, diretora da Divisão de Crises e Conflitos da HRW, os agentes precisam ser identificáveis para que possam ser responsabilizados em casos de conduta ilegal durante as operações. “Esse tipo de sigilo deveria ser uma exceção, nunca a regra. E é ainda mais alarmante considerando os abusos generalizados associados às prisões de imigrantes nos últimos meses”, afirma. A HRW também rebate o argumento do DHS de que o uso de máscaras evita a exposição de informações pessoais dos agentes. Segundo a organização, a prática é incompatível com as obrigações do governo dos EUA em relação aos direitos humanos e deveria ser adotada apenas em situações excepcionais. Ainda de acordo com a HRW, o anonimato dos agentes estimula a impunidade. A HRW afirma que, em alguns casos, agentes do ICE já detiveram imigrantes usando roupas civis e veículos descaracterizados. Há relatos de servidores que ocultaram insígnias da agência para abordar pessoas em locais como tribunais, escolas e residências. LEIA TAMBÉM Músicos fazem apresentação de rock como protesto em frente a hotel de agentes do ICE: 'Não vão dormir'; VÍDEO Marido é condenado por matar esposa e outro homem com ajuda de babá brasileira nos EUA Diante de ameaças dos EUA, Irã está disposto a encerrar programa nuclear, diz jornal Oposição quer mudanças Agente federal usa máscara durante operações do ICE em Minneapolis, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Seth Herald O governo Trump tem feito um grande esforço para contratar novos agentes para o ICE. O objetivo é cumprir a promessa de deportar 1 milhão de imigrantes em situação irregular por ano. Para isso, a administração federal tem prometido bônus em dinheiro e descontos em dívidas estudantis. As medidas têm surtido efeito. O número de agentes do ICE cresceu rapidamente, passando de 10 mil para 22 mil em apenas um ano. Dados da própria agência indicam que mais de 220 mil pessoas se candidataram a vagas no serviço de imigração. 👉 A rapidez nas contratações, no entanto, levantou questionamentos sobre os critérios adotados e sobre a redução no tempo de treinamento dos agentes. Episódios recentes de violência também levaram parlamentares da oposição a pressionar por mudanças. No fim de janeiro, senadores democratas pediram uma reforma nas regras de atuação do ICE em troca de um acordo para aprovar o orçamento do governo. Entre as exigências está o fim do uso de máscaras faciais pelos agentes. A oposição também defende que os agentes passem a usar câmeras corporais e sigam as mesmas regras de uso da força aplicadas às polícias locais. “O que o ICE está fazendo é brutalidade sancionada pelo Estado. Isso precisa parar”, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer. Na segunda-feira (2), uma das exigências foi parcialmente atendida. A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, afirmou que o governo iniciou a distribuição de câmeras corporais para agentes do ICE em serviço em Minneapolis. A cidade foi palco de duas mortes de cidadãos americanos durante ações do ICE, em janeiro. Os casos geraram comoção nacional e uma onda de protestos. Segundo Noem, o programa será expandido para outras regiões do país conforme houver disponibilidade de recursos. O governo, por enquanto, não sinalizou que pretende proibir o uso de máscaras faciais. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/03/exercito-de-mascarados-o-que-o-ice-alega-para-esconder-o-rosto-de-agentes-de-imigracao-e-por-que-isso-e-perigoso.ghtml


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