Especialistas tentam acabar com espécie de árvore invasora para evitar 'efeito desastroso' no país; entenda

  • 13/04/2026
(Foto: Reprodução)
Mangue-maçã (Sonneratia apetala) em Cubatão, SP Ibama/Divulgação e Fundação Florestal/Divulgação Uma espécie de árvore exótica tem chamado a atenção de especialistas após ser descoberta em Cubatão (SP). Isso porque o mangue-maçã (Sonneratia apetala) é originário da Ásia e tem o poder de causar o empobrecimento da biodiversidade e afetar o funcionamento do ecossistema no Brasil. Para evitar um "efeito desastroso", a Fundação Florestal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão trabalhando para que a planta seja erradicada do país. Até o momento, mais de 700 indivíduos adultos foram retirados do estuário de Cubatão. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Laís Zayas é responsável pelo setor de manguezais da Fundação Florestal. Ela explicou ao g1 como a espécie chegou ao Brasil, por que ela deve ser erradicada e também como é feita a retirada, sem prejudicar o meio ambiente. Entenda a partir dos seguintes pontos: O que é o mangue-maçã? Como chegou ao Brasil? Quais são os perigos de a planta se instalar no Brasil? Como os órgãos têm trabalhado para erradicar a espécie? Como está o mapeamento? Como os indivíduos são retirados? Veja os vídeos que estão em alta no g1 1. O que é o mangue-maçã? De acordo com Laís, a planta é originária do sudeste asiático. "Trata-se de uma planta de rápido crescimento, que pode atingir cerca de 15 metros de altura, com elevado potencial reprodutivo, produzindo frutos com dezenas de sementes", acrescentou ela. Com base nessas características, ainda segundo a especialista, a espécie apresenta alta capacidade de estabelecimento e adaptação nos manguezais brasileiros. "Por não ser nativo da região e afetar negativamente espécies e ecossistemas locais, e considerando o seu histórico de invasão em florestas naturais no sul da China, o mangue-maçã é considerado uma espécie exótica invasora", afirmou o Ibama. 2. Como chegou ao Brasil? Mangue-maçã (Sonneratia apetala) sendo retirada em Cubatão, SP Fundação Florestal/Divulgação Laís afirmou que o primeiro registro da espécie no Brasil aconteceu em 2022, no estuário de Cubatão, sendo também o primeiro registro em toda a América do Sul. O biólogo Edmar Hatamura encontrou a espécie enquanto trabalhava com o pesquisador Geraldo Eysink em um projeto de restauração dos manguezais degradados de Cubatão, que pertencem à empresa de gestão ambiental HC2 Holambra. Na ocasião, Hatamura explicou ao g1 que a espécie pode ter ido para o estuário de Cubatão por meio da água de lastro -- recolhida do mar e armazenada em tanques de embarcações para garantir a estabilidade -- de navios provenientes da China. "O tráfego entre os portos de Santos e Shenzhen, na China, é muito intenso, principalmente pela exportação de minério de ferro e soja", explicou o especialista à época. 3. Quais são os perigos de a planta se instalar no Brasil? Biólogos encontraram árvore de Sonneratia apetala com mais de 12 metros de altura Arquivo Pessoal Ainda segundo Laís, observações de campo indicam que os indivíduos tendem a apresentar maior altura e diâmetro de tronco em relação às espécies nativas, o que pode conferir vantagem competitiva na ocupação de espaço e na disputa por nutrientes. Além disso, a espécie também apresenta elevada produção de sementes, favorecendo sua rápida expansão. "É, por si só, um cenário crítico, especialmente considerando que os manguezais do sudeste brasileiro são naturalmente estruturados por um número reduzido de espécies arbóreas", explicou ela. A especialista destacou que a substituição dessas espécies compromete diretamente a estrutura do bosque e pode desencadear efeitos em cascata sobre a biodiversidade associada e a cadeia trófica, com impactos relevantes sobre o funcionamento do ecossistema. 4. Como os órgãos têm trabalhado para erradicar a espécie? Frutos da mangue-maçã (Sonneratia apetala) em Cubatão, SP Fundação Florestal/Divulgação e Ibama/Divulgação O Ibama afirmou que o cenário atual ainda é compatível com a erradicação da espécie. De acordo com Laís, a atuação dos órgãos federal e estadual está fundamentada no princípio de "Detecção Precoce e Resposta Rápida". O Programa Manguezais da Fundação Florestal, em parceria com a professora Marília Lignon, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveu um protocolo técnico específico para o manejo da espécie, que foi submetido e autorizado pelo Ibama em 2024. Atualmente, as ações combinam execução em campo e articulação interinstitucional da seguinte forma: ➡️O Ibama atua no mapeamento das áreas de ocorrência e na identificação dos indivíduos. ➡️A Fundação Florestal conduz a contratação, por meio de ata de registro de preços, de empresa especializada para a retirada da espécie em diferentes pontos da costa, além de realizar monitoramento e ações diretas de supressão com equipe própria. ➡️Os pesquisadores da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), avançam em estudos voltados à padronização da identificação da espécie por imagem, com foco na detecção precoce em outras áreas do litoral. 5. Como está o mapeamento? Mangue-maçã (Sonneratia apetala) em Cubatão, SP Fundação Florestal/Divulgação e Ibama/Divulgação Laís explicou que o mapeamento aéreo da espécie combina sensoriamento remoto e validação em campo. Ela afirmou que, no epicentro da bioinvasão, foram inicialmente mapeados cerca de 20 hectares com alto grau de detalhamento, em áreas já reconhecidas pela maior incidência da espécie. Nesse levantamento, a especialista explicou que foram delimitados 218 polígonos de ocorrência, sendo que cada polígono pode representar um ou mais indivíduos. "Permitiu não apenas quantificar, mas compreender o padrão espacial de distribuição da espécie no território", destacou ela. A profissional disse que o Ibama realizará, entre quarta (15) e sexta-feira (17), a ampliação do mapeamento para uma área aproximada de 300 hectares, com sobrevoo por drone. O objetivo é expandir a cobertura e qualificar a identificação dos focos. 6. Como os indivíduos são retirados? Flor (à esq.) e frutos (à dir.) de Sonneratia apetala em Cubatão (SP) Arquivo pessoal Até o momento, mais de 700 indivíduos adultos foram removidos no estuário de Cubatão. Destes, aproximadamente 650 foram retirados antes da consolidação do mapeamento, e cerca de 50 depois. Laís explicou que o método adotado respeita a dinâmica do próprio ecossistema. Os especialistas realizam o corte raso dos indivíduos adultos e cobrem os tocos com a própria lama do manguezal. A profissional destacou que não há utilização de herbicidas, materiais antropogênicos ou qualquer insumo químico, "em função da condição de alagamento do manguezal e da interação direta com outros ecossistemas". Ela acrescentou que as ações também consideram o ciclo reprodutivo da espécie. "Sempre que possível, evita-se a intervenção durante o período de frutificação. Quando isso não é viável, realiza-se a coleta manual dos frutos para impedir a dispersão de sementes".

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/04/13/especialistas-tentam-acabar-com-especie-de-arvore-invasora-para-evitar-efeito-desastroso-no-pais-entenda.ghtml


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