Entenda como microscópio de baixo custo criado por brasileiro ajuda no diagnóstico da malária na Nigéria

  • 23/05/2026
(Foto: Reprodução)
Microscópio barato criado por brasileiro ajuda no diagnóstico da malária na Nigéria Um microscópio de baixo custo tem ajudado a ampliar o diagnóstico da malária em uma região vulnerável da Nigéria. Criado pelo brasileiro André Maia Chagas, o equipamento utiliza peças compradas em plataformas de comércio eletrônico e funciona conectado a um celular. Segundo o pesquisador da Universidade de Sussex e especialista de Projetos Estratégicos do Manacás da PUC-Campinas, a proposta surgiu a partir de uma demanda do estado de Yobe, no nordeste da Nigéria, região marcada pela alta incidência de malária e pela falta de infraestrutura em saúde. Ao todo, 30 equipamentos já foram construídos localmente e distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária. "Os aparelhos não foram enviados prontos do Brasil. As próprias equipes locais compraram os componentes pela internet e realizaram a montagem durante os treinamentos, reduzindo os custos de importação, facilitando a manutenção e gerando independência tecnológica nas regiões atendidas", explica Chagas. Estudo revela que a malária moldou a distribuição dos primeiros humanos na África Microscópios sendo construídos localmente na Nigéria para serem distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária André Maia Chagas O microscópio custa cerca de US$ 85 (aproximadamente R$ 430) e pode ser montado em até uma hora após a impressão das peças estruturais em 3D. Ele foi desenvolvido a partir do conceito de hardware aberto, que disponibiliza gratuitamente os projetos, instruções de montagem e a lista de materiais para que qualquer pessoa reproduza o aparelho. "O objetivo era criar um equipamento funcional para uma necessidade específica, com o menor custo possível. Pesquisa pública, financiada com dinheiro público, deveria virar bem público", afirma o especialista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Estrutura simples e funcional Segundo André, que iniciou o trabalho na Universidade de Sussex, no Reino Unido, em parceria com a Universidade de Yobe, o aparelho possui componentes de fácil aquisição. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes disponíveis em plataformas online, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Como a câmera é conectada ao smartphone, é o próprio celular que fornece energia ao sistema, além de servir como visor para análise das imagens. Amostras de sangue em lâminas são acopladas ao equipamento e, com a resolução disponível, é possível identificar o parasita causador da malária dentro das células. ⚠️ Ter o equipamento, no entanto, não é suficiente por si só. O diagnóstico é feito por profissionais de saúde treinados, capazes de identificar e interpretar corretamente a presença do parasita nas imagens. Microscópio de baixo custo pode ajudar a ampliar o diagnóstico da malária em regiões vulneráveis na Nigéria. Estevão Mamédio A iniciativa busca não apenas ampliar o acesso ao diagnóstico, mas também acelerar o início do tratamento da doença. As unidades de saúde da região atendem a população de forma descentralizada e contam, em muitos casos, com testes rápidos, como os usados para Covid-19, que nem sempre apresentam alta precisão. Segundo Chagas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a análise microscópica de amostras de sangue o método padrão para o diagnóstico da malária. Outras aplicações Além da malária, André Chagas explica que o microscópio pode ser usado para outros exames que utilizam microscopia. "Microscopia ainda é usada para muitas coisas. O exame de Papanicolau, por exemplo, depende desse tipo de análise. Então a detecção de câncer de colo de útero e de outras doenças também podem ser feitas por um sistema como esse", diz. Por ser digital, o equipamento também abre caminho para a criação de bancos de dados e sistemas de análise automatizada. A ideia é que, no futuro, ferramentas tecnológicas ajudem a acelerar a triagem de exames e o monitoramento epidemiológico. "Com essas imagens, a gente consegue acompanhar a evolução da doença em tempo real, e no futuro, treinar sistemas de detecção automática para ajudar na triagem e monitoramento epidemiológicos", afirma. Processo de validação O microscópio já está em uso na Nigéria e passa atualmente por um processo de validação científica, com comparações em relação a equipamentos tradicionais. “O microscópio ainda está em fase de validação, mas ele já consegue gerar imagens das células vermelhas e visualizar o parasita da malária. Como o projeto foi baseado no OpenFlexure, uma tecnologia de microscópio aberto que já passou por validação científica, a expectativa é validar esse equipamento da mesma forma", completa. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Estevão Mamédio *Estagiária sob supervisão de Fernando Evans Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/23/entenda-como-microscopio-de-baixo-custo-criado-por-brasileiro-ajuda-no-diagnostico-da-malaria-na-nigeria.ghtml


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