Empresário do ES que viajava de carro pela América Latina tenta sair da Bolívia há mais de 40 dias: 'perdi o enterro do meu pai'

  • 14/06/2026
(Foto: Reprodução)
Empresário do ES que viajava pela América Latina tenta sair da Bolívia há mais de 40 dias Um empresário e desenvolvedor de softwares de Vila Velha, na Grande Vitória, que fazia uma viagem de carro pela América Latina com a namorada, está há mais de 40 dias sem conseguir sair da Bolívia devido à onda de protestos no país que tem bloqueado as estradas e impedido o abastecimento de postos de combustíveis. ⁉️ Os bolivianos se manifestam, desde o início de maio, contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o poder há seis meses. Entre as principais reivindicações, estão as mudanças da política agrária e a melhoria na qualidade do combustível. Em resposta, a polícia tem utilizado bombas e gás, o que aumenta a tensão no país. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Diante da crise boliviana, Rafael Darrouy, de 40 anos, e a namorada dele (que prefere não ser identificada), tiveram de interromper a viagem que faziam desde novembro de 2025 e se hospedar em Sucre, capital constitucional do país. Além disso, o empresário, que fez aniversário no último dia 10, não pôde enterrar o próprio pai, Marcelo Enrique Darrouy Manieu, que morreu na última terça-feira (9), após ficar dias internado em decorrência de um infarto. "Entramos aqui na Bolívia no dia 26 de março e a nossa intenção era ficar aqui 30 ou 40 dias para descansar. Essa era a ideia: parar aqui em Sucre e depois ir pra Amazônia Boliviana, La Paz, Peru, seguir a viagem. Mas, a partir do dia 1º (de maio) começaram esses protestos", contou Rafael. LEIA TAMBÉM: Em meio aos conflitos no Irã, moradores do ES estão em cruzeiro parado em Dubai, sem previsão de retornar ao Brasil Brasileiro de 23 anos é morto em ataque de drones na Guerra da Ucrânia Rafael Darrouy e a namorada viajavam de carro pela América Latina desde novembro de 2025, mas precisaram interromper o trajeto na cidade de Sucre. Reprodução O capixaba e a companheira dele, que é paranaense, saíram do Sul do Brasil, foram até Ushuaia, na Patagônia Argentina, passaram pelo Chile e tinham o objetivo de chegar ao Caribe. No entanto, o casal está impedido de circular devido à falta de combustível e também aos bloqueios terrestres. "Sucre está cercada e nas últimas três semanas, se eu não me engano, a coisa se intensificou. A cidade ficou completamente bloqueada", afirmou o empresário. O casal também está com os vistos de turistas e a permissão de trafegar com o carro em território estrangeiro prestes a vencer, no próximo dia 24. E isso tem deixado eles ainda mais preocupados. O Itamaraty foi procurado pelo g1 para saber se há alguma providência sendo tomada para que o casal de brasileiros consiga deixar a Bolívia, mas não retornou até o momento desta publicação. Bloqueios impediram capixaba de se despedir do pai Em meio à crise boliviana, no último dia 1º de junho, Rafael recebeu a notícia de que o pai dele havia sido internado em um hospital. "Eu comecei a tentar desenrolar uma forma de sair daqui, mas é tudo muito arriscado, não tem combustível", relatou o capixaba. Além da falta de abastecimento dos postos de combustíveis no país, segundo o empresário há uma dificuldade em acessar informações oficiais e instruções. "Em um país estranho, você fica um pouco perdido com as informações. Então, as informações eram de que brasileiros já tinham sido feridos em bloqueios. E aí eu pensei: 'eu não vou tentar, eu vou ficar aqui'. Eu fui acompanhando à distância, achei que meu pai ia melhorar, mas repentinamente ele faleceu." Com base em um sistema de mapas que indica a trafegabilidade das principais estradas da Bolívia, da Administradora Boliviana de Rodovias, há, atualmente, ao menos 70 bloqueios terrestres decorrentes de "conflitos sociais". Sistema de mapas da Administradora Boliviana de Rodovias mostra bloqueios nas estradas do país. Reprodução Vencimento dos documentos Com a interrupção da viagem do casal, a validade dos documentos de Rafael e da namorada está chegando ao fim. Para resolver a situação, o empresário buscou, na quinta-feira (11), o departamento de imigração da cidade. No entanto, não conseguiu encontrar uma solução. "Há uma confusão generalizada, porque a imigração não sabe me dizer o que tem que ser feito. Eu fui lá duas vezes e aí a única coisa que me informaram é não existe previsão legal para essa situação. Me disseram que se eu não sair, serei multado", contou Rafael. Ao receber a informação de que seria multado se não deixasse o país a tempo, Rafael buscou a Embaixada Brasileira na Bolívia. O órgão, por sua vez, emitiu uma carta solicitando que as autoridades bolivianas estendam o visto do capixaba e de sua companheira, assim como a permissão do carro. "Eu pretendo ir lá (departamento de imigração) na segunda-feira (15) de novo para tentar resolver esse problema, porque a gente está com medo de perder o carro, porque seria uma importação ilegal". Diante das dificuldades e incertezas, o casal tem sido orientado, tanto por autoridades brasileiras no país, quanto pela dona do imóvel onde está hospedado, a continuar na Bolívia e tentar resolver os trâmites de documentos de maneira jurídica. "A dona do imóvel onde eu estou hospedado trabalha com construção civil e ela me disse que o marido dela, para ir de uma cidade a outra, poucos quilômetros de distância, está demorando 12, até 16 horas, porque ele precisa ir por caminhos de terra. E parece que ele se deparou com alguns desses bloqueios e foi agredido", relatou. Sistema de mapas da Administradora Boliviana de Rodovias mostra bloqueios nas estradas do país. Reprodução Dia a dia na Bolívia Além da falta de gasolina no país, Rafael contou que, em Sucre, a coleta de lixo também foi paralisada. "Então, a gente tem que andar algumas quadras para poder jogar o lixo, porque não tem diesel", explicou o empresário. Apesar disso, ele diz que se sente aliviado por estar em uma cidade que "produz o que consome". A base da alimentação em Sucre é a agricultura familiar e, por isso, não há desabastecimento de alimentos. "A situação aqui onde eu estou, ela só não é pior por conta da agricultura familiar. Eu fico pensando que se esse país tivesse um regime de latifúndios, de agricultura industrial em larga escala, talvez a gente estivesse tendo desabastecimento, porque aí seria necessário abastecer as cidades por rodovias." Segundo Rafael, mesmo com o clima tenso, os bolivianos, ao contrário do que têm feito ele e a namorada dele, vão às ruas normalmente. "Ontem (sábado) e antes de ontem (sexta), eu consegui olhar a cidade. Me parece normal, me parece que as coisas estão caminhando normalmente, as pessoas estavam na rua, estavam nas praças, normalmente", contou o capixaba. Rafael Darrouy está há mais de 40 dias tentando sair da Bolívia. Reprodução Ao refletir sobre a situação em que se encontra e também percebendo a realidade das pessoas ao seu redor, Rafael expressou uma visão política sobre o que tem acontecido na Bolívia. Para ele, potências, como os Estados Unidos e a Europa são, em grande parte, responsáveis por "desetabilizarem" os países da América Latina. "Acho que os países da América Latina têm que resolver os seus problemas internamente, têm que ter autonomia e soberania para conseguir resolver os seus problemas, tomar as suas decisões. Acho que o que eu estou sofrendo aqui é um reflexo de uma desestabilização histórica que acontece na América Latina. Então, eu como brasileiro, tendo a ser solidário pela situação da Bolívia", conclui o capixaba. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/06/14/empresario-do-es-que-viajava-de-carro-pela-america-latina-tenta-sair-da-bolivia-ha-mais-de-40-dias-perdi-o-enterro-do-meu-pai.ghtml


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