Em meio à paralisação, Prefeitura de Rio Branco decreta situação de emergência no transporte público

  • 22/04/2026
(Foto: Reprodução)
Paralisação dos ônibus esvaziou Terminal Urbano de Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre Em meio à paralisação de motoristas paralisaram e interrupção da circulação de ônibus na em Rio Branco nesta quarta-feira (22), a prefeitura da capital decretou situação de emergência no transporte público. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE), no início da noite de quarta. Com o decreto, que tem vigência de 60 dias, a prefeitura poderá intervir no sistema, através da Superintendência Municipal de Trânsito (RBTrans) e abrir espaço para que novas companhias assumam operações. A emergência poderá ser prorrogada por mais dois meses ao fim do prazo. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp No documento, o município argumenta que a concessionária do sistema público Ricco Transportes não cumpriu com as obrigações de "executar as atividades com zelo, diligência e economia, utilizando a melhor técnica e obedecendo normas e padrões". Com a paralisação, justificada pelos trabalhadores como uma reivindicação a salários e encargos atrasados, a prefeitura afirma que a interrupção afeta o direito de ir e vir dos passageiros. O g1 tenta contato com a Prefeitura de Rio Branco para saber se o funcionamento dos ônibus já tem previsão de retomada e aguarda retorno. Com Terminal Urbano vazio, frota de ônibus é totalmente paralisada em Rio Branco "A situação fática de que, na data da declaração, 100% das linhas do Sistema de Transporte Público Coletivo Urbano de Passageiros do Município de Rio Branco encontram-se paralisadas", cita o decreto entre as justificativas. A suspensão do serviço escancarou um cenário que já vinha se agravando há meses e que, segundo a Empresa Ricco Transportes e Turismo, responsável pela operação emergencial do sistema, envolve prejuízos financeiros e falta de repasses públicos. O impacto atinge diretamente os usuários: somente entre os dias 1º e 17 de abril, mais de 490 mil passageiros utilizaram o transporte coletivo na capital. Com a paralisação, o Terminal Urbano amanheceu vazio e muitos usuários precisaram recorrer a alternativas particulares para se deslocar. LEIA TAMBÉM: Há mais de 4 anos em contrato emergencial na capital, Ricco alega prejuízo de R$ 8 milhões em 2025 Edital do transporte em Rio Branco teve questionamentos ao formato da licitação e critérios para valores Com impacto de R$ 12,4 milhões, contrato emergencial da Ricco é renovado por mais 6 meses em Rio Branco Justiça concede liminar e bloqueia veículos da Empresa Ricco Ricco diz não pagar salários por operar 'no vermelho' em meio a crise que atinge passageiros na capital Em documento obtido pelo g1, a Ricco afirma que opera no limite financeiro e atribui a situação a uma combinação de fatores, como a defasagem da tarifa, sem reajuste desde 2022, aumento nos custos operacionais e ausência de repasses integrais por parte da prefeitura, especialmente relacionados a gratuidades e meia-passagem estudantil. (Veja detalhes mais abaixo) Ricco alega crise financeira Segundo a empresa, entre os dias 1º e 20 de abril, foram arrecadados cerca de R$ 2,8 milhões, somando receitas de bilhetagem, subsídios e outros repasses. No entanto, as despesas no mesmo período chegaram a R$ 2,9 milhões, gerando um déficit de, aproximadamente, R$ 64 mil. Os principais custos apontados incluem combustível (R$ 1,15 milhão), peças e manutenção (R$ 481 mil), além de encargos trabalhistas e impostos. Ainda conforme o documento, o saldo negativo teria impedido o pagamento de despesas consideradas essenciais. A situação se agrava com valores em aberto que ultrapassam R$ 1,5 milhão, incluindo salários (R$ 574 mil), vale-alimentação (R$ 348 mil), além de rescisões e outros custos operacionais. Motoristas da Ricco paralisam totalmente o transporte coletivo em Rio Branco nesta quarta-feira (22) Richard Lauriano/Rede Amazônica A Ricco sustenta que a legislação prevê a compensação desses benefícios pelo poder público. No entanto, a empresa alega que os valores repassados estariam abaixo do necessário para cobrir os custos da operação. Ainda de acordo com o documento, a prefeitura teria repassado cerca de R$ 1,8 milhão em subsídios no período analisado, quando o valor considerado devido pela empresa seria de R$ 4,4 milhões, com base na chamada tarifa técnica. Confira os detalhes das alegações da Ricco nesta matéria. Documento da Ricco alega que fecharam 'no vermelho' em meio a despesas com transporte público em Rio Branco Reprodução Crise se estende Desde 2022, o transporte coletivo da capital é mantido por meio de contratos emergenciais sucessivos, após a saída da antiga operadora. Nesse período, o sistema tem enfrentado instabilidades, com redução de linhas e queixas recorrentes de usuários. A paralisação desta quarta foi organizada pelos próprios motoristas e não pelo sindicato da categoria. Após o movimento, a prefeitura informou que se reuniu com representantes dos trabalhadores e da empresa, e que foi acordado um prazo de 48 horas para buscar soluções que permitam a retomada do serviço. O prefeito Alysson Bestene (PP) afirmou ainda que a gestão trabalha em medidas para normalizar o transporte e garantir o atendimento à população. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/04/22/em-meio-a-paralisacao-prefeitura-de-rio-branco-decreta-situacao-de-emergencia-no-transporte-publico.ghtml


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