'Ela queria dar aula de Educação Física': ex-professor relembra jovem que morreu em salto de rope jump no interior de SP

  • 14/06/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-professor de vítima de acidente com rope jump relembra sonhos da jovem "Ela queria ser professora de Educação Física." É assim que o professor Valdinei Barbosa prefere se lembrar de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, a jovem de 21 anos que morreu após ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros sem o equipamento de segurança durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. Valdinei foi professor de Educação Física de Maria Eduarda na Escola Estadual Terezinha Polloni, em Jandira, na Grande São Paulo, e compareceu ao velório da ex-aluna, neste domingo (14). Segundo ele, a jovem, conhecida pelos colegas como Duda, sonhava em seguir a mesma profissão. "Ela sempre falava: 'Professor, quando eu sair daqui vou ser professora de Educação Física'. E eu sempre incentivava, porque ela tinha perfil para isso", contou. O professor lembra que Maria Eduarda era participativa, ajudava na organização de campeonatos escolares e exercia papel de liderança entre os colegas. "Ela vestia a camisa da escola. Quando tínhamos jogos interclasses, era uma das pessoas que mais ajudava a organizar tudo", disse. O professor Valdinei Barbosa e Maria Eduarda Rodrigues de Freitas Reprodução Segundo Valdinei, a ex-aluna já havia começado a construir a carreira que planejava. Ela trabalhava em uma academia na região de Jandira e havia compartilhado com ele a felicidade pelas oportunidades profissionais que estava conquistando. "Ela me mandou mensagem dizendo que estava muito feliz trabalhando na área. Me agradeceu pelas aulas e falou da importância que elas tiveram na vida dela. Eu sempre via muito potencial nela", afirmou. Ao saber da morte da ex-aluna pelas redes sociais, o professor disse ter ficado abalado. "Era uma menina muito boa, muito inteligente, muito ativa. Tinha todos os sonhos pela frente." Valdinei também criticou a falha que resultou na tragédia. Na avaliação dele, procedimentos de segurança deveriam ter evitado o acidente. "Não existe realizar um esporte radical sem verificar todos os equipamentos de segurança. Uma jovem de 21 anos perdeu a vida quando tinha muitos planos para realizar", afirmou. Em meio à comoção, ele diz guardar as lembranças da estudante que acompanhou durante os anos de escola. "Ela era muito dedicada. Lembro do sorriso dela, da vontade de participar de tudo. A gente acaba tratando esses alunos como filhos. O carinho que eu tinha pela Duda é inexplicável." Maria Eduarda trabalhava na academia Panobianco Silverstone. Em nota publicada nas redes sociais, a unidade lamentou a morte da jovem e afirmou que ela deixou sua marca pela "dedicação, carinho, alegria e respeito" com que tratava as pessoas ao seu redor. "Sua presença iluminava os ambientes e sua lembrança permanecerá para sempre em nossos corações", diz a homenagem. Abaixo, a íntegra da nota: "Hoje nos despedimos de uma pessoa muito especial para a nossa família Panobianco Silverstone... Maria Eduarda deixou sua marca por meio da dedicação, do carinho, da alegria e do respeito com que tratava todos ao seu redor. Sua presença iluminava os ambientes e sua lembrança permanecerá para sempre em nossos corações. Neste momento de profunda tristeza, nos unimos em oração e solidariedade aos familiares, amigos e colegas, desejando força e conforto para enfrentar esta perda. Que as boas memórias, os momentos compartilhados e o amor deixado por ela sejam fonte de paz e acolhimento. Descanse em paz, Maria Eduarda." O acidente Mulher morre ao saltar de rope jump em Limeira; empresa teria esquecido corda O momento da queda de Maria Eduarda foi registrado em vídeo por testemunhas que flagraram o momento em que a jovem foi empurrada da plataforma sem que a corda estivesse conectada ao corpo dela (assista acima). LEIA TAMBÉM: Entenda o que é rope jumping Prefeitura vai processar Governo Federal por omissão em ponte Jovem fez post antes do acidente: 'Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?' 'Era para ser eu', diz homem que saltaria antes de jovem lançada sem corda Três homens foram presos em flagrante pela Polícia Civil. A seguir, o g1 reúne perguntas e respostas com o que se sabe sobre o caso: Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira Reprodução/Redes sociais Quem era a vítima? Maria Eduarda tinha 21 anos e era natural de Jandira (SP). Com formação em educação física e gestão esportiva, e costumava compartilhar nas redes sociais sua paixão por atividades ao ar livre e pela natureza. Horas antes de morrer, ela publicou fotos mostrando o local do salto, as pulseiras de identificação e brincou com a situação. Em uma das postagens, escreveu: "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???". Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, morta após ser lançada em rope jump sem corda Reprodução/Instagram Como o acidente aconteceu? Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma. Ela é impulsionada para frente e, logo após a queda, ouvem-se gritos de desespero dizendo "a corda" e "gente, a corda". A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto. Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda. O que é rope jump? O rope jump (pulo com corda) é um esporte radical em que o praticante salta de locais altos, como pontes e viadutos, preso a um sistema de cordas semelhante ao de escalada. Ao contrário do bungee jump, que usa uma corda elástica e faz a pessoa "quicar", o rope jump interrompe a queda de forma controlada e faz o praticante balançar de um lado para o outro, como um pêndulo humano. Por ser uma atividade de risco extremo, empresas profissionais adotam protocolos rígidos, como a checagem dupla, onde mais de um instrutor confirma se todos os equipamentos estão fixados antes de autorizar a queda. Quem era responsável pelo salto? Os homens que aparecem no vídeo empurrando a jovem usavam camisetas das marcas "Entre Cordas" e "Ih Voei". Segundo a polícia, os nomes são de grupos informais de praticantes, e não há empresas oficiais por trás da operação. Eles eram um grupo de praticantes do esporte que se conheceram e, há cerca de um ano, passaram a promover eventos em vários destinos. Ao todo, três homens foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos. Por que a corda não foi presa à jovem na hora do salto? Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda. Um cliente que saltaria logo em seguida relatou que os funcionários ignoraram a conferência padrão na vez dela. A corda grossa que deveria segurar a queda da jovem ficou enrolada no chão da plataforma. Em depoimento à polícia, os três instrutores presos não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima. Morte de jovem em rope jump sem corda: três homens serão investigados por homicídio com dolo eventual Reprodução O grupo tinha autorização para atuar no local? A polícia informou que o grupo não tinha nenhum tipo de autorização para realizar saltos na região da Ponte do Esqueleto. Mesmo sem a permissão legal para uso do espaço, a atividade organizada por eles naquele sábado reunia cerca de 100 participantes. Quais os crimes investigados e próximos passos da investigação? Os três foram presos em flagrante e serão investigados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual — que é quando a pessoa não tem a intenção direta, mas assume o risco de matar. Para a delegada do caso, ao não fazerem a checagem da corda, eles assumiram o risco de produzir o resultado trágico. A polícia agora vai ouvir outras testemunhas e aguarda a conclusão dos laudos da perícia. Com o avanço do inquérito, os instrutores poderão ser formalmente denunciados à Justiça e responder criminalmente pela morte da jovem. Qual o posicionamento dos instrutores presos? O advogado de defesa afirmou que os três clientes são apaixonados pelo esporte, atuam há anos e nunca tiveram problemas. Ele classificou o caso como uma "triste fatalidade". De quem é a responsabilidade pelo local? A Ponte do Esqueleto, onde ocorreu a tragédia, é de responsabilidade do Governo Federal. Em nota, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) disse estar "à disposição das autoridades para colaborar nas investigações". Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o local faz parte do patrimônio imobiliário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi classificado como bem não operacional a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). "A ponte do Esqueleto pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares. A transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026", detalhou, em nota. A Prefeitura de Limeira informou que vai processar a União por omissão. A administração municipal alega que já havia enviado ofícios aos órgãos federais cobrando medidas de segurança, manutenção e controle de acesso à área, que apresenta riscos conhecidos há anos, mas nenhuma providência foi tomada. Ponte do Esqueleto, em Limeira; jovem de 21 anos morreu após fazer salto de rope jump sem corda Wesley Almeida/EPTV

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/14/ela-queria-dar-aula-de-educacao-fisica-ex-professor-relembra-jovem-que-morreu-em-salto-de-rope-jump-no-interior-de-sp.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes