Eduardo Bolsonaro atuou como produtor de filme que recebeu dinheiro de Vorcaro; função incluía captação de recursos, diz site
15/05/2026
(Foto: Reprodução) O deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, trabalhou como produtor-executivo do filme sobre a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsanaro.
A função consta em contrato a que o Intercept Brasil teve acesso. A TV Globo confirmou as informações.
Na quarta-feira (13), o site revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar "Dark Horse" e que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
🔎 Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras bilionárias, segundo a PF.
A publicação exibiu áudio em que Flávio pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.
Investigação sobre uso do dinheiro
Segundo publicou o blog da Andreia Sadi, uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção do filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores para financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então.
Na quinta-feira (14), Eduardo disse, em uma publicação na internet, que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado a Vorcaro.
Contrato traz definições sobre funções
Segundo o Intercet, o contrato de produção do filme foi assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece ao lado do deputado federal Mário Frias, também do PL de São Paulo, como produtor-executivo do filme.
Além disso, o documento traz a empresa GoUp Entertainment, que tem sede nos Estados Unidos, como produtora (veja detalhes abaixo).
Ainda de acordo com o contato, cujos trechos foram publicados pelo site e confirmados pela TV Globo, a produtora e os produtores-executivos deveriam se dedicar a atividades de desenvolvimento do projeto.
Essas atividades incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
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Produtora sediada nos Estados Unidos
A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida e tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Segundo o Intercetp, Karina é também sócia do Instituto Conhecer Brasil, uma organização-não governamental.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma apuração preliminar para investigar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a um grupo de entidades ligadas a GoUp, entre elas o Instituto Conhecer Brasil.
A medida foi tomada após pedidos apresentados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ) dentro de uma ação que contesta a destinação de emendas.
O g1 revelou na quinta-feira (14) que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para que preste informações sobre "possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas" destinados ao instituto.
Em nota, a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina da Gama, afirmou que os projetos que executa "seguem rigorosamente os trâmites exigidos pelos órgãos, incluindo apresentação formal de projetos, aprovação de plano de trabalho, metas, execução contratual, acompanhamento técnico, prestação de contas e fiscalização".
Esta reportagem está em atualização