Conheça a história do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que chega à 59ª edição após crise orçamentária

  • 12/09/2026
(Foto: Reprodução)
Cine Brasília Arquivo Público do DF O mais antigo cinema de rua do país também é a casa do mais antigo festival de cinema brasileiro. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua 59ª edição, no Cine Brasília, entre desafios orçamentários e o resgate do público para o cinema nacional. Criado em 1965, o festival atravessou a ditadura militar, enfrentou censura, revelou e premiou grandes nomes do cinema brasileiro e se tornou patrimônio imaterial do Distrito Federal. A noite de abertura do festival foi nesta sexta-feira (11) e, neste sábado (12), o festival dá início à Mostra Competitiva no Cine Brasília. A programação segue até o dia 19 de setembro e também terá sessões em outras regiões do DF. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Para a diretora-geral do festival e do Cine Brasília, Sara Rocha, espaços como esses ainda têm grande destaque pela experiência que proporcionam. "Nada substitui a liturgia de você assistir a um filme numa sala de cinema, por mais que você tenha acesso a catálogos de obras, em plataformas de streaming, para você consumir numa TV ou num laptop [...] é absolutamente distinta a experiência de você estar numa sala de cinema escura, com som, com uma tela grande, onde você tem uma experiência muito mais imersiva", explica. ➡️Neste ano, uma série de incertezas marcou a realização da 59ª edição do Festival. Após o evento ser cancelado por falta de verba, o governo do DF efetivou o pagamento da primeira parcela dos recursos, e a realização do festival foi confirmada. ➡️O g1 e a TV Globo mostraram que a organização social contratada e mais de 40 pessoas envolvidas na produção estavam sem receber. Veja abaixo: Festival de Cinema sob risco: equipe está sem receber salários Quase seis décadas de história Há 61 anos, a 1ª Semana do Cinema Brasileiro foi idealizada por uma comissão dirigida pelo professor e idealizador do curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Emílio Salles Gomes. A primeira edição estreou premiando nomes como Arnaldo Jabor, com o curta "O circo", e Fernanda Montenegro, em seu primeiro filme da carreira, por sua atuação em "A falecida". Fernanda Montenegro no filme 'A falecida' de 1965, baseado na obra de Nelson Rodrigues Reprodução Resistência e Cultura Em 1967, a Semana se tornou o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Intensamente político, o espaço reunia diplomatas, jornalistas e críticos de cinema para premiações e debates, o que o tornou alvo da ditadura militar (1964-1985). Já como festival, em 1971, em plena ditadura, o documentário "O país de São Saruê", do cineasta Vladimir Carvalho, foi censurado e substituído pelo filme "Brasil bom de bola", de Carlos Niemeyer. Vaiado pelo público, o episódio aumentou a tensão com o regime e fez com que o festival vivesse sua única pausa, entre 1972 e 1974. O evento retornou apenas em 1975. Títulos premiados e reconhecimentos históricos Entre outros momentos históricos estão o primeiro prêmio da atriz e cantora Zezé Motta por "Xica da Silva", em 1976; e o prêmio de melhor filme para "A Hora da Estrela", em 1985, baseado no clássico de Clarice Lispector; além da última aparição pública do ator Grande Otelo. A história do cinema nacional está inscrita no festival que, desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Zezé Motta como Chica da Silva em filme de Cacá Diegues, em 1976. BBC Referência na indústria e do público Em 2026, o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro contará com mais 70 produções. Nas últimas edições, mais de 35 mil expectadores passaram pelo festival. Mas o evento também tem o papel de debater a indústria do cinema brasileiro com masterclasses, encontros e oficinas. O ambiente de ideais ajuda a discutir o futuro do audiovisual, como comenta Sara Rocha. "[O festival] É essa grande ágora, historicamente, onde o setor audiovisual se reúne para debater e decantar todo o debate relativo às políticas públicas", explica. Ela também destaca o papel que o Cine Brasília e o Festival têm para a cultura do Distrito Federal. "O que de fato defende o cinema brasileiro e o festival hoje é a comunidade cultural, audiovisual e a sociedade civil de uma maneira mais ampla", completa. Fachada Cine Brasília Agência Brasília Novos desafios Desde a ditadura militar, o festival não parou. Mesmo na pandemia, houve sessões online. Os desafios mais recentes, no entanto, são orçamentários. O diretor de produção do festival, Henrique Rocha, destaca as dificuldades logísticas que a incerteza da realização causou. "A gente iniciou os trabalhos do festival esse ano em março [...] e desde então equipes começaram a trabalhar. E a gente só veio receber esse recurso no mês passado. Então, foi bem difícil esse tempo todo com a equipe trabalhando e com esse nível de incerteza", destaca. Apesar das incertezas, a diretora-geral do festival afirma que o evento está dentro do cronograma. Para ela, a repercussão na mídia e entre o público foi fundamental. "Foi agraciado pela sociedade civil, pelas entidades, pela própria imprensa, pelos realizadores e realizadores do Brasil inteiro. A gente conseguiu a manutenção das condições necessárias para realizar uma belíssima 59ª edição desse festival", comenta Sara Rocha. Não só o festival, mas também o Cine Brasília teve dificuldades. Em julho deste ano, houve o atraso do repasse semestra do governo do Distrito Federal. À época, os gestores afirmaram que a situação já afetava o pagamento de funcionários e fornecedores, portanto, poderia comprometer o funcionamento do cinema. RELEMBRE: Cine Brasília, último cinema de rua do DF e maior do Brasil, pode fechar as portas por falta de verba Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/09/12/conheca-a-historia-do-festival-de-brasilia-do-cinema-brasileiro-que-chega-a-59a-edicao-apos-crise-orcamentaria.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes