Como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário: doações, filiados e outras receitas bancam gastos

  • 14/07/2026
(Foto: Reprodução)
Câmara aprova projeto que enfraquece fiscalização e alivia punições a partidos políticos A maior parte dos partidos brasileiros depende do Fundo Partidário para se manter. Mas um grupo de 9 siglas sobrevive quase sem esse repasse: são partidos que têm praticamente todo o dinheiro vindo de doações, contribuições de filiados, outras contribuições, receitas diversas e depósitos judiciais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados da prestação de contas eleitorais mostram que, entre 29 partidos com prestação disponível, 20 tiveram o Fundo Partidário como principal fonte de receita em 2025. Outras 9 siglas tiveram 99,9% ou 100% das receitas vindas de outras fontes. São elas: DC, PSTU, Agir, Missão, UP, Mobiliza, Democrata, PCB e PRTB. O acesso aos recursos do Fundo Partidário depende de um desempenho mínimo nas eleições para a Câmara dos Deputados, desde uma emenda constitucional de 2017. Pela regra, os partidos precisam obter ao menos 3% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos nacionalmente, ou eleger pelo menos 15 deputados federais. O maior valor entre os partidos desse grupo foi declarado pelo DC, com R$ 2,8 milhões em receitas. Segundo os dados da prestação de contas, 99,9% do total veio de outros recursos, principalmente doações de pessoas físicas. O partido declarou ter R$ 197,97 do Fundo Partidário no período. As despesas declaradas pelo DC somaram R$ 2,7 milhões. Infográfico mostra como nove partidos que não receberam Fundo Partidário em 2025 financiaram suas atividades com doações, contribuições de filiados e outras receitas. Equipe de Arte/g1 Dois partidos desse grupo registraram despesas maiores que as receitas declaradas no ano: Mobiliza e PRTB. No caso do Mobiliza, as despesas superaram as receitas em R$ 181,5 mil. No PRTB, a diferença foi de R$ 12 mil. Outras siglas ficaram praticamente no limite entre o que arrecadaram e o que gastaram. O PSTU, por exemplo, declarou R$ 1,4 milhão em receitas e R$ 1,4 milhão em despesas, com saldo positivo de apenas R$ 3 mil. No Agir, a diferença foi de R$ 10,5 mil. No DC, de R$ 25,8 mil. O peso dos filiados varia bastante entre as siglas. No PSTU, eles foram a principal base financeira do partido em 2025: as contribuições somaram R$ 1,06 milhão, cerca de 75% de toda a receita declarada. Na UP, os filiados também tiveram papel relevante, com R$ 246,2 mil, valor próximo ao arrecadado com doações de pessoas físicas. No PCB, as contribuições de filiados somaram R$ 48 mil e ficaram atrás apenas das outras contribuições. A distância em relação aos maiores partidos é grande. O PL, por exemplo, declarou R$ 318,3 milhões em receitas em 2025, sendo R$ 312,2 milhões do Fundo Partidário, o equivalente a 98,1% do total. As despesas do partido somaram R$ 207,5 milhões. O PT declarou R$ 240,1 milhões em receitas, dos quais 80,4% vieram do Fundo Partidário. As despesas somaram R$ 238,3 milhões. Veja o balanço entre receitas e despesas por partido: Democracia Cristã (DC) O DC arrecadou R$ 2,7 milhões em 2025. As três maiores fontes de receita foram doações de pessoas físicas, com R$ 1,8 milhão; transferências recebidas de direções estaduais, com R$ 583 mil; e outras receitas diversas, com R$ 186,7 mil. Entre as doações de pessoas físicas, os maiores repasses identificados foram de Karen Cristina Alves dos Santos, com R$ 160 mil, e Marcelo Correia de Vasconcelos, com R$ 150 mil. Karen aparece como sócia-administradora de uma empresa de seguros em Minas Gerais. Marcelo aparece como sócio-administrador em empresas de diferentes ramos, como holdings, eventos, energia elétrica, comércio farmacêutico, atividades imobiliárias e aluguel de máquinas. Os maiores valores vieram de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais. Com despesas totais de R$ 2,74 milhões em 2025, o DC concentrou seus gastos sobretudo na folha de pessoal, sua maior rubrica isolada. Logo atrás vêm as transferências financeiras efetuadas. Somadas, as duas categorias respondem por quase metade de tudo o que o partido gastou no ano. Ao incluir os recolhimentos ao erário, ou seja, valores devolvidos aos cofres públicos, terceira maior despesa, o total ultrapassa 60% do orçamento. Aluguéis, condomínios e receitas devolvidas completam o quadro das cinco maiores rubricas, mas com peso menor. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) O PSTU arrecadou R$ 1,41 milhão em 2025. A principal fonte de receita foram contribuições de filiados, que somaram R$ 1,06 milhão. Em seguida aparecem doações de pessoas físicas, com R$ 259,7 mil, e financiamento coletivo, com R$ 43,2 mil. O maior contribuinte identificado foi Antonio Donizette Ferreira, com R$ 200 mil em contribuições de filiados. Na base também há registros em nome de Antonio D. Ferreira, que somam R$ 33,5 mil. O contribuinte aparece como sócio de uma empresa advocatícia em São Paulo. Entre as receitas com UF informada, os maiores volumes vieram de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com despesas de R$ 1,40 milhão em 2025, o PSTU teve como maior gasto isolado os aluguéis e condomínios. Somando os serviços técnico-profissionais, segunda maior categoria, o partido já ultrapassa dois terços do total gasto no ano usando apenas duas rubricas. Incluindo ainda os gastos com pessoal, a concentração sobe para quase 80% do orçamento total. Agir O Agir arrecadou R$ 873,7 mil em 2025. As principais receitas vieram de doações de pessoas físicas, com R$ 692,5 mil; transferências recebidas de direções estaduais, com R$ 106,9 mil; e doações estimáveis em dinheiro, com R$ 31,6 mil. O maior doador identificado foi Carlos Kleber de Sousa Chaves, com R$ 70 mil. Ele já disputou eleições municipais no Ceará e ocupou cargo na Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza em 2024. Na base, a maior parte das receitas aparece sem discriminação de UF, registrada como Brasil. Entre os valores com UF específica, aparecem Distrito Federal e Goiás. Em 2025, o Agir gastou R$ 863,2 mil, com destaque para adiantamentos diversos, sua maior despesa isolada, seguida de perto pelos gastos com pessoal. Essas duas rubricas somadas já respondem por praticamente metade de tudo o que o partido gastou. Ao incluir a terceira maior categoria, serviços técnico-profissionais, a soma ultrapassa a metade do orçamento, evidenciando que boa parte dos recursos do Agir está concentrada em poucas frentes de gasto. Unidade Popular (UP) A UP arrecadou R$ 772,4 mil em 2025. As três maiores fontes foram contribuições de filiados, com R$ 246,2 mil; doações de pessoas físicas, com R$ 236,1 mil; e outras receitas diversas, com R$ 142,1 mil. Diferentemente de outros partidos analisados, os maiores repasses individuais de filiados tiveram valores mais baixos: os três maiores ficaram entre R$ 2,8 mil e R$ 4,6 mil. Entre as receitas com UF informada, os maiores volumes vieram de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco. A UP foi o partido com o gasto mais pulverizado entre os analisados, somando R$ 510,4 mil em despesas em 2025. Aluguéis e condomínios lideram os gastos, seguidos por uma rubrica genérica de outras despesas gerais. Ainda assim, essas duas categorias somadas não chegam à metade do total. É só ao somar a terceira maior despesa, transferências financeiras, que o acumulado ultrapassa a marca de 50%, mostrando que a UP diversificou mais seus gastos do que a maioria dos partidos da base. Mobiliza O Mobiliza arrecadou R$ 521,3 mil em 2025. A maior fonte de receita foram outras contribuições, com R$ 383,4 mil. Em seguida aparecem transferências recebidas de direções estaduais, com R$ 47,1 mil, e financiamento coletivo, com R$ 36,2 mil. Entre as outras contribuições, o maior repasse identificado foi de Agnaldo de Oliveira, com R$ 40,7 mil. Ele aparece ligado a registros empresariais antigos nos ramos de cosméticos e confecção de vestuário em Minas Gerais. Entre as receitas com UF informada, os maiores volumes vieram da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. A sigla gastou R$ 702,8 mil ao longo do ano, com forte concentração em transferências financeiras efetuadas, que sozinhas já respondem por mais de um terço do total. Ao somar a segunda maior rubrica, serviços técnico-profissionais, o partido já ultrapassa a metade de todo o orçamento gasto em apenas duas categorias. Incluindo ainda os gastos com aluguéis e condomínios, o acumulado chega a quase três quartos do total. Missão O Missão arrecadou R$ 787,2 mil em 2025. A maior parte veio de recursos de pessoas físicas, que somaram R$ 785,5 mil. As demais fontes tiveram peso residual: R$ 1,2 mil em rendimentos de aplicações financeiras e R$ 496 em recursos de pessoas jurídicas. O maior doador identificado foi Eugênio Ermírio de Moraes, com R$ 104 mil. Ele é filho de Carlos Ermírio de Moraes, que presidiu o conselho de administração do Grupo Votorantim, e aparece como sócio em empresas ligadas a participações, administração, representação, incorporação imobiliária e comércio atacadista de máquinas e equipamentos industriais. O partido declarou R$ 264,7 mil em despesas em 2025. No detalhamento nominal, os maiores pagamentos foram para fornecedores de confecção, advocacia, gráfica e materiais impressos. A GT Confecções Ltda. recebeu R$ 45,5 mil, o maior valor individual, equivalente a 16,8% do total. Em um dos documentos anexados, a empresa aparece como fornecedora de camisetas polo, moletons e peças identificadas como “Repcat Missão”, por R$ 21,7 mil. Também aparece entre os principais pagamentos a Papelao e Cia Ltda., com R$ 34,7 mil. A nota fiscal anexada registra a compra de 5 mil unidades de “caixa para box rígido com 6 livros ‘Livro Amarelo’”, com pagamento por Pix no mesmo valor. O Livro Amarelo contém o programa partidário do Missão e é vendido por valores que variam entre R$ 589,68 e R$ 3.589,68. "O partido Missão não tem fundo partidário. Nós nos mantemos com doações, filiações pagas (fomos o partido que mais cresceu esse ano) e com venda de produtos, como o Livro Amarelo", diz Renato Battista, tesoureiro nacional do Missão. "Nós sabemos fazer muito, mesmo com pouco recurso." Democrata O Democrata arrecadou R$ 190,6 mil em 2025. A principal fonte foi a rubrica de outras receitas diversas, com R$ 73,1 mil. Em seguida aparecem transferências recebidas da direção nacional, com R$ 34,7 mil, e contribuições de parlamentares, com R$ 32,4 mil. O repasse em outras receitas diversas foi identificado em nome do Instituto Escola da Democracia do Partido Democrata. A sigla é o antigo Partido da Mulher Brasileira, que passou a se chamar Democrata após autorização do TSE em 2025, e não tem relação com o antigo Democratas, partido que se fundiu ao PSL para formar o União Brasil. O Democrata gastou R$ 162,3 mil em 2025, com as duas maiores rubricas, serviços técnico-profissionais e despesas judiciais, respondendo juntas por mais da metade do total. Isso mostra um partido cujo orçamento se concentrou fortemente em assessoria técnica e questões jurídicas. Ao somar ainda os gastos com pessoal, terceira maior categoria, o acumulado ultrapassa dois terços de tudo o que o Democrata gastou no ano. Partido Comunista Brasileiro (PCB) O PCB arrecadou R$ 164,3 mil em 2025. As três maiores fontes foram outras contribuições, com R$ 84,8 mil; contribuições de filiados, com R$ 48 mil; e ganhos com ativos, especialmente aluguéis, com R$ 9,9 mil. Entre as outras contribuições, o maior repasse identificado foi de Augusto Ribeiro Silva, com R$ 12,6 mil, registrado pelo diretório municipal. Segundo os dados levantados, toda a receita veio de São Paulo. O PCB apresentou o maior grau de concentração de despesas entre os partidos analisados. Com um total de R$ 138,6 mil gastos em 2025, praticamente tudo se resume a duas rubricas: serviços técnico-profissionais e aluguéis e condomínios. Juntas, essas duas categorias somam quase 90% de tudo o que o partido gastou no ano, restando uma fatia mínima distribuída entre outras categorias de despesa. Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) O PRTB arrecadou R$ 46,9 mil em 2025. A maior fonte foi a recuperação de depósitos restituíveis e valores vinculados, com R$ 25,9 mil. Em seguida aparecem outras receitas diversas, com R$ 7,1 mil, e outras contribuições, com R$ 5 mil. Segundo os dados levantados, os registros de depósitos judiciais se referem a sete processos em São Paulo e um em Rondônia. A sigla registrou o menor volume de despesas entre os partidos com dados na base, cerca de R$ 58,9 mil em 2025. Chama atenção o fato de que uma única rubrica, depósitos restituíveis e valores vinculados, já responde sozinha por mais da metade de todo o gasto do partido. Somando a segunda maior categoria, outras despesas gerais, o acumulado sobe para 75% do total. À exceção do Missão, os demais partidos políticos citados foram procurados para comentar o custeio e os gastos, mas não retornaram até a publicação desta matéria. Discussão e votação de propostas legislativas. Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/14/como-sobrevivem-os-partidos-que-nao-recebem-fundo-partidario.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes