Cientistas descobrem que sistema imune ‘rouba’ DNA de células que estão morrendo

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Descoberta traz respostas sobre doenças como o lúpus Banco de imagens Cientistas descobriram um fenômeno até então desconhecido no corpo humano: estruturas do sistema imune conseguem invadir o núcleo de tecidos em colapso e extrair seu DNA. Esse material genético, uma vez internalizado, ativa um poderoso alarme inflamatório. O mecanismo foi descrito por pesquisadores em estudo publicado na revista científica Nature Communications. Os autores deram um nome ao processo: nucleocitose. A descoberta ajuda a explicar como o próprio DNA do corpo pode desencadear inflamação —algo que intriga a ciência há anos, especialmente em doenças autoimunes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que os cientistas descobriram Até hoje, os cientistas sabiam que o sistema imune tem sensores capazes de identificar DNA estranho dentro das células, como o material genético de um vírus. Quando isso acontece, a célula entende que está sob ataque e aciona um mecanismo de defesa. Esse mecanismo leva à produção de interferon, uma substância que funciona como um sinal de alerta e ajuda o corpo a combater infecções. ➡️ A dúvida era outra: como o DNA do próprio corpo —liberado quando uma estrutura está morrendo— poderia ativar esse mesmo alarme? O estudo mostrou que os macrófagos, um tipo de célula de defesa, fazem algo inesperado. Em vez de apenas engolir restos celulares, eles podem estender estruturas parecidas com “braços” e alcançar diretamente o núcleo da estrutura em colapso. Ali, retiram fragmentos de DNA. Uma vez dentro do macrófago, esse material genético ativa o mesmo sensor usado para detectar vírus. O resultado é a produção de interferon e o disparo de uma resposta inflamatória. Não é fagocitose O processo é diferente da fagocitose, mecanismo clássico em que a célula de defesa engole completamente a célula morta. Na nucleocitose: A célula imune se conecta ao núcleo da célula moribunda. Estruturas protrusivas penetram no núcleo. O DNA é extraído. A célula de defesa ativa a via inflamatória. Os pesquisadores conseguiram filmar o fenômeno em tempo real. O papel da hidroxicloroquina Outro resultado chamou atenção dos pesquisadores: A hidroxicloroquina —medicamento usado no tratamento de doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide— foi capaz de provocar esse fenômeno em laboratório. Segundo o estudo, a droga interfere no funcionamento dos lisossomos, estruturas que atuam como o “sistema de reciclagem” da célula. Quando essas estruturas deixam de funcionar adequadamente, a célula entra em colapso e começa a morrer. Nesse processo, proteínas que normalmente ficam dispersas passam a se acumular no núcleo. Essa alteração parece sinalizar para as células de defesa que há algo errado. ➡️ É nesse momento que ocorre a nucleocitose: os macrófagos se conectam ao núcleo da célula moribunda, extraem seu DNA e ativam a via inflamatória. Os autores sugerem que parte dos efeitos imunológicos da hidroxicloroquina pode estar ligada a esse mecanismo indireto de ativação do interferon. O que isso pode significar A descoberta pode ter implicações importantes em diferentes doenças porque todas elas envolvem, de alguma forma, ativação inadequada ou exagerada do interferon. Nas doenças autoimunes, como lúpus, o sistema imune passa a reagir contra componentes do próprio corpo. Em muitos pacientes, médicos detectam uma “assinatura de interferon” —ou seja, níveis elevados de genes ativados por essa molécula inflamatória. ➡️ O que nem sempre estava claro era: de onde vinha o estímulo inicial para ativar essa via? A nucleocitose oferece uma hipótese. Se células que estão morrendo liberam DNA e esse material é ativamente extraído por macrófagos, o próprio DNA do paciente pode estar alimentando a inflamação. Nas inflamações crônicas, como ocorre em algumas doenças intestinais ou pulmonares, há morte celular contínua. Quanto maior o número de células em colapso, maior pode ser a disponibilidade de DNA nuclear para ativar o sistema imune por esse mecanismo. ➡️ No câncer, o cenário é ambíguo. A ativação da via do interferon pode ajudar o sistema imune a reconhecer e combater tumores. Por outro lado, inflamação persistente também pode favorecer crescimento tumoral em certos contextos. Entender como o DNA de células tumorais mortas é processado pode ajudar a modular essa resposta. Já nas infecções virais, o interferon é essencial para conter a replicação do vírus. Se drogas ou processos naturais induzirem nucleocitose, isso pode amplificar a resposta antiviral de forma indireta. Em várias dessas condições, pesquisadores já observavam essa “assinatura de interferon” —sinais de que a via inflamatória estava ativa —sem compreender exatamente qual era o gatilho inicial. A nucleocitose surge agora como uma possível peça desse quebra-cabeça. Um novo capítulo na imunologia O DNA não consegue atravessar livremente a membrana celular. Por isso, sempre foi um desafio entender como o material genético liberado por células mortas poderia alcançar sensores internos da célula imune. O estudo mostra que o processo não é passivo. É ativo, direcionado e envolve reorganização estrutural da célula de defesa. Ao revelar como o próprio DNA pode ativar o sistema imune, a descoberta abre caminho para novas estratégias terapêuticas —tanto para estimular respostas antivirais quanto para controlar inflamações excessivas.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/04/cientistas-descobrem-que-sistema-imune-rouba-dna-de-celulas-que-estao-morrendo.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Don't Let Me Down

The Beatles

top2
2. Epitaph

King Crimson

top3
3. Feeling Good

Nina Simone

top4
4. Somebody To Love

Queen

top5
5. Lady Laura

Roberto Carlos

Anunciantes