China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York

  • 26/04/2026
(Foto: Reprodução)
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China O Fantástico estreou, neste domingo (26), a série especial "Entre Dois Mundos", que compara os modelos de desenvolvimento de China e Estados Unidos. O primeiro episódio mergulha em um dos principais campos dessa rivalidade: a infraestrutura. Estradas, aeroportos, metrôs e trens viraram símbolos de uma disputa maior — quem terá mais influência sobre o futuro do planeta. Em Xangai, basta sair do aeroporto para encontrar um dos maiores cartões-postais da modernização chinesa. O trem Maglev, movido por levitação magnética, não toca nos trilhos. Ele “flutua” sobre um campo magnético e atinge 420 km/h, ligando o aeroporto ao centro da cidade em apenas 7 minutos e 12 segundos. O Maglev é muito mais do que um trem veloz. Ele simboliza a velocidade com que a China saiu da pobreza extrema para se tornar potência tecnológica e industrial em poucas décadas. Ao mesmo tempo, o país construiu um modelo próprio de capitalismo sob comando estatal, diferente das democracias ocidentais. Durante grande parte do século 20, Nova York ocupou esse papel simbólico. Era a capital financeira do mundo, vitrine do capitalismo e centro de influência cultural global. Como mostra a série do Fantástico, a cidade ainda representa poder, mas também revela sinais de desgaste em sua infraestrutura. Um dos exemplos citados é a antiga Penn Station. O terminal original era considerado uma obra monumental, inspirado na arquitetura romana, com grandes salões e luz natural. Foi demolido nos anos 1960 e substituído por uma estação subterrânea que virou alvo de críticas por superlotação e ambiente opressivo. Hoje, parte da estrutura foi modernizada com a nova Moynihan Train Hall, instalada no antigo prédio dos correios. A obra devolveu claridade e espaço aos passageiros, mas levou quase 30 anos entre concepção e entrega. Para especialistas ouvidos pela reportagem, esse ritmo lento ajuda a explicar a dificuldade americana em renovar grandes sistemas públicos. O trajeto entre Manhattan e o aeroporto JFK também ilustra o contraste. Para chegar ao terminal, o passageiro precisa usar metrô, conexões e enfrentar deslocamento de mais de uma hora. O trem que liga a malha urbana ao aeroporto tem apenas 13 quilômetros, custou cerca de US$ 2 bilhões e demorou décadas para sair do papel. Mesmo assim, moradores lembram que o metrô nova-iorquino segue sendo um dos poucos sistemas americanos de transporte público funcionando 24 horas por dia. O problema é justamente esse funcionamento contínuo: a manutenção precisa ser feita com a rede operando, o que dificulta reformas profundas. A infraestrutura do aeroporto de NY, que teve sua construção iniciada em 1943 também mostra a demora nas manutenções. A primeira reforma foi ena década de 90 e a próxima melhoria, que está em curso, tem previsão de entrega para 2030. Nos EUA, as obras são pensadas como únicas. Um projeto separado do outro. Na China, a lógica é oposta. Grandes aeroportos são padronizados e replicados em escala industrial, quase como peças de Lego. Isso permite reduzir custos, acelerar cronogramas e expandir rapidamente a rede nacional de transporte. Um aeroporto de grande porte pode ser concluído em cerca de dois anos por aproximadamente US$ 7 bilhões — menos da metade dos cerca de US$ 20 bilhões previstos para reformas em Nova York. Segundo Chenghe Guan, diretor do Laboratório de Ciência Urbana da NYA Xangai, o custo menor envolve mão de obra, escala de produção e menor tempo de atraso. Outro exemplo é o metrô de Xangai. Inaugurado 90 anos depois do sistema de Nova York, hoje já tem o dobro da extensão e continua crescendo em ritmo acelerado. Para o urbanista ouvidos pela reportagem, isso só foi possível por causa do planejamento estatal de longo prazo. Como o mesmo partido governa a China há décadas, projetos atravessam gerações e seguem adiante sem grandes rupturas políticas. Em democracias polarizadas, mudanças de governo costumam interromper obras iniciadas por adversários ou alterar prioridades. Mas a velocidade chinesa também cobra preço. Há crateras em obras de metrô e problemas urbanos que o governo tenta manter longe das câmeras. Sgeundo especialistas, a rapidez excessiva pode reduzir transparência e ampliar riscos. Em fevereiro de 2026, um grande buraco se abriu em uma obra do meetro em Xangai. Atualmente, o lugar está isolado e não pode ser filmado. Urbanismo em Xangai Modificada para ser o cartão-postyal chinês para o mundo, a transformação urbana aparece ainda nos bairros antigos de Xangai. Regiões históricas de casas baixas e canais foram substituídas por arranha-céus em poucas décadas. Como toda a terra pertence ao Estado, moradores recebem licenças de uso e podem ser realocados se o planejamento público exigir. A família de Wan e Lawrence deixou um bairro tradicional para viver em um apartamento maior, porém mais distante do centro. Para eles, a mudança trouxe conforto, mas também rompeu laços de vizinhança construídos ao longo da vida e os deixou mais afastados do centro. Uso de dados No tema do uso de dados, tanto China quanto Estados Unidos utilizam informações geradas por celulares para planejar fluxo urbano, transporte e serviços. A diferença, segundo especialistas, é que nos EUA há mais dados públicos disponíveis a pesquisadores, enquanto na China o acesso costuma ficar concentrado no governo. China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/26/china-eua-serie-estreia-diferencas-entre-xangai-nova-york.ghtml


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