Cárcere privado, tortura e rituais: veja as alegações fantasiosas da mulher que fingiu ter 12 anos no interior de SP

  • 10/06/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher de 38 anos que se passou por adolescente em SC também enganou guardas municipais e policiais no interior de SP Reprodução A mulher de 38 anos que se apresentou como uma adolescente de 12 anos em Santa Catarina e que também enganou guardas municipais e a polícia de Jundiaí (SP), em 2022, construiu na cidade uma história repleta de elementos fantasiosos para ludibriar autoridades e ser acolhida pela rede municipal de proteção à criança. O caso gerou um inquérito por falsidade ideológica e Amanda Maria Souza de Oliveira responde atualmente a ação penal na 3ª Vara Criminal da cidade pelo crime previsto no artigo 299 do Código Penal. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Segundo o boletim de ocorrência do caso, registrado no 1º Distrito Policial de Jundiaí, Amanda abordou dois guardas municipais e disse ser vítima de uma rede criminosa em Fortaleza (CE). Ela se identificou como Ana Clara dos Santos Oliveira, nascida em 22 de dezembro de 2009. A partir daí, os relatos foram se tornando cada vez mais detalhados e também perturbadores. De acordo com o documento, ela afirmou aos guardas municipais que havia sido mantida em cárcere privado desde os seis anos de idade, quando teria começado a ser obrigada a se prostituir. Disse ainda que recebia injeções de hormônio constantemente para suportar os abusos sexuais. A mulher alegou que nunca frequentou escola nem recebeu atendimento médico em hospital, apenas em clínicas clandestinas. Disse que sua suposta mãe a teria ensinado a ler e escrever apenas para poder assinar papéis, e que havia chegado a Jundiaí a bordo de um caminhão, trazida por um motorista arrependido de manter relações com crianças. Mulher se passa por adolescente explorada por casa de prostituição para aplicar golpes Série de fantasias: rituais, bebês sacrificados e políticos envolvidos Ainda conforme o boletim de ocorrência, Amanda alegou que, no local onde era mantida em cárcere, havia "diversas crianças a partir dos seis anos de idade vivendo como escravas sexuais, tomando hormônios." Segundo ela, quando essas crianças cresciam e deixavam de ser "rentáveis", eram "descartadas em forma de rituais de magia negra." LEIA TAMBÉM: Professor de educação física é denunciado por importunação sexual contra aluna de 12 anos Homem mata a esposa com 12 facadas e alega que ia 'tirar bruxaria' da vítima VÍDEO: mulher corre atrás de suspeito de tentar estuprar crianças em Itapetininga; homem foi preso Ela disse ainda que, por ter ingerido muitos hormônios e ficado "aparentemente obesa", também estava sendo encaminhada para esses rituais, nos quais, segundo suas palavras, "via bebês sendo oferecidos em sacrifício". Outra alegação é de que era constantemente castigada com torturas físicas quando não queria fazer programas. Amanda afirmou ainda que a suposta rede de exploração infantil era "muito sigilosa, voltada a pedófilos, em busca de crianças de até 14 anos" e que os responsáveis seriam "muito poderosos", incluindo "políticos e autoridades", o que explicaria, segundo ela, a capacidade de ocultar os crimes. Quando questionada sobre o endereço em Fortaleza, disse que o local ficava no bairro Conjunto Ceará, próximo a um cemitério, mas que não conseguia precisar a rua por nunca poder sair sozinha. Afirmou que vivia reclusa, sem acesso a televisão, e que o único contato com o mundo externo eram filmes pornográficos aos quais era obrigada a assistir. Falsidade ideológica Mulher que se passou por adolescente em SC também enganou polícia em Jundiaí (SP) Reprodução Apesar da riqueza de detalhes, o próprio boletim de ocorrência registra que "foram feitas diversas pesquisas nos bancos de dados de pessoas físicas via Infoseg" e que "as informações fornecidas pela vítima não foram encontradas." Após dias acolhida na instituição, a verdadeira identidade de Amanda foi revelada pela Polícia Civil. A delegada Aline Nery Bonchristiani, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí, concluiu após investigações que a mulher não tinha 12 anos, mas, sim, 34 na época. Ela é ré por falsidade ideológica na 3ª Vara Criminal de Jundiaí. O caso na cidade paulista ocorreu em agosto de 2022. Ao se identificar como Ana Clara dos Santos Oliveira, ela contou a história de exploração sexual que mobilizou toda a rede de proteção à criança e ao adolescente do município. O inquérito policial foi instaurado em 2 de setembro de 2022 com base no crime de falsidade ideológica, pelo qual Amanda foi formalmente indiciada. A denúncia foi recebida pela Justiça em junho de 2023. No entanto, a ré foi citada por edital, não compareceu e não constituiu advogado. Prisão em Santa Catarina Amanda foi presa em 2 de junho por suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos e viver por 14 meses como filha adotiva na casa de uma família em Joinville (SC). A "menina" dizia se chamar Gabriele e foi detida na casa das vítimas, no distrito de Pirabeiraba. Segundo a Polícia Civil, a suspeita tem antecedentes por golpes idênticos em outros estados e confessou o crime. Ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/06/10/carcere-privado-tortura-e-rituais-veja-as-alegacoes-fantasiosas-da-mulher-que-fingiu-ter-12-anos-no-interior-de-sp.ghtml


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