Calor extremo ameaça o parmesão e muda a produção do ‘rei dos queijos’

  • 16/07/2026
(Foto: Reprodução)
Calor extremo ameaça o parmesão e muda a produção do ‘rei dos queijos’ Tem uma coisa que está preocupando os italianos. "É um queijo com mais de 800 anos, e não queremos ser os últimos a ter a possibilidade de tirar proveito dele", diz Paolo Ganzerli, do Grupo alimentício Granterre. Ele está falando do Parmigiano Reggiano, considerado o "rei dos queijos". E que no Brasil chamamos de parmesão. O calor extremo tem se tornado um dos grandes inimigos da produção do autêntico Parmigiano Reggiano, permitida apenas em lugares específicos da Itália. As vacas devem ser alimentadas exclusivamente com grama e feno cultivados nesses locais. Mas, sem chuva, a grama não cresce, afetando a produção de feno. "Conceitualmente, se o clima mudar e não for mais possível cultivar forragem aqui, não será mais possível produzir Parmigiano Reggiano. O DNA do Parmigiano Reggiano reside nesses fenos, que contêm bactérias benéficas que se desenvolvem apenas nesta região. Uma vez que passam para o leite e, posteriormente, para o queijo, são elas que conferem ao Parmigiano Reggiano a sua identidade", afirma Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio Parmigiano Reggiano. Além disso, quando fica muito quente, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e produzem até 10% menos leite. E o problema não é nem só a quantidade. "A qualidade do próprio leite, não apenas do ponto de vista químico — a quantidade de proteína ou gordura que ele contém —, mas, sobretudo, os microrganismos que nele habitam. São essas bactérias benéficas que, uma vez no queijo, fermentam os componentes do leite e criam os aromas, as fragrâncias e os sabores que caracterizam o Parmigiano Reggiano. Portanto, condições climáticas desfavoráveis podem ter um impacto significativo na microbiologia do leite", acrescenta Nicola Bertinelli. Os produtores estão tentando lidar com o calor extremo instalando ventiladores e sistemas de resfriamento, o que aumenta cada vez mais os custos de produção. O aumento dos gastos com energia também afeta os armazéns onde as rodas de queijo são armazenadas. O processo de maturação dura pelo menos 12 meses e, em alguns casos, três anos ou até mais. Cada roda passa por rigorosas inspeções de qualidade. O queijo é verificado semanalmente por especialistas que batem em cada roda com pequenos martelos, ouvindo possíveis sinais de falhas durante o processo de maturação. A indústria do Parmigiano Reggiano gera uma receita estimada de 4,5 bilhões de euros por ano, além de empregar milhares de pessoas e impulsionar a economia local. Pessoas caminham ao redor de um queijo parmesão original italiano em Bolonha. Vincenzo Pinto/AFP LEIA TAMBÉM: 'Rios atmosféricos': o que é o fenômeno que coloca o Sul do Brasil em alerta para tempestades no fim de semana El Niño: fenômeno deve favorecer temporais no RS após veranico no Sul do país; veja previsão Guaxinim de Haaland: comprar animais empalhados é permitido? Entenda o que determinam as leis

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/07/16/calor-extremo-ameaca-o-parmesao-e-muda-a-producao-do-rei-dos-queijos.ghtml


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