Cabo da PMPI preso suspeito de fraude em concursos de PE entregava pontos eletrônicos e celulares adaptados
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Nove pessoas são presas em operação policial contra fraude em concurso público do TJPE
O cabo do 20º Batalhão da Polícia Militar de Paulistana (PI), preso suspeito de participar de um esquema de fraudes nos concursos do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça de Pernambuco, era responsável por entregar pontos eletrônicos e celulares adaptados aos clientes da quadrilha, de acordo com a Polícia Civil de Pernambuco.
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Em coletiva de imprensa na quinta-feira (26), a polícia detalhou a atuação dos suspeitos de integrar e contratar o grupo especializado em fraudar concursos públicos. Ao todo, nove envolvidos no esquema foram presos — incluindo três policiais militares e um guarda municipal. O g1 procura a defesa do cabo.
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"O agente de segurança de outro estado era membro da organização criminosa e responsável pela logística e distribuição de equipamentos eletrônicos", disse o delegado Júlio César Pinheiro, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção.
Além dos pontos eletrônicos, a quadrilha oferecia celulares que não eram reconhecidos pelos detectores de metais presentes nos locais onde as provas eram aplicadas.
Segundo o coronel Newmarcos Pessoa, corregedor da Polícia Militar do Piauí, o cabo está em um presídio militar de Petrolina (PE). Ele aguarda pela audiência de custódia, na qual um juiz vai determinar se continua preso.
A corregedoria da PMPI vai analisar a documentação da prisão do policial e decidir se abre um conselho disciplinar para investigar o comportamento dele.
"Se realmente for confirmado a culpabilidade ou o envolvimento dele nesse tipo de crime, independentemente do processo civil que vai correr lá [em Pernambuco], um processo disciplinar vai ser aberto aqui para analisar a permanência ou a expulsão dele da PM", afirmou o coronel.
Como era o esquema de fraudes
Duas operações da Polícia Civil de Pernambuco, realizadas na quarta, prenderam o líder e vários membros da quadrilha. Os criminosos atuaram nos certames do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), cujas provas foram aplicadas em 2025.
Segundo a polícia, os candidatos pagavam até R$ 70 mil para contratar a quadrilha que oferecia diversos serviços, como cópias de gabaritos, "clones" – que são pessoas que vão no lugar do candidato fazer a prova – e dispositivos de transmissão.
Ainda está em investigação a maneira como os clientes acessavam e contratavam a organização criminosa. Já o esquema de pagamento é semelhante nos dois casos:
Uma parte era transferida antes do dia das provas, para que fossem comprados os dispositivos eletrônicos e bancar outras operações logísticas. O valor variava entre R$ 3 mil e R$ 5 mil;
A segunda parte era paga quando o candidato era aprovado no concurso e assumia o cargo. O valor, cobrado de uma vez, poderia ser até 20 vezes o salário inicial livre do cargo adquirido pelo cliente – um preço que pode ser em torno de R$ 70 mil.
A PCPE não informou quais concursos e quais estados foram alvos dos suspeitos, pois as investigações seguem em andamento.
Policial preso suspeito de fraude em concursos entregava pontos eletrônicos e celulares
Montagem/g1
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