Ameaça de novo tarifaço americano provoca reações do governo e de pré-candidatos à Presidência da República

  • 02/06/2026
(Foto: Reprodução)
Governo e pré-candidatos à Presidência reagem à ameaça de novo tarifaço americano A ameaça de um novo tarifaço provocou reações do governo e também de pré-candidatos à Presidência da República. No início da manhã desta terça-feira (2), o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, disse em entrevista à rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, que pediu ao governo americano que não aplicasse tarifas sobre empresas brasileiras. "Eu pedi expressamente, nas três reuniões que nós tivemos com o presidente Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz expresso a eles”, diz Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Horas depois, em discurso em Catalão, Goiás, o presidente Lula atribuiu o novo tarifaço à atuação de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos: "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer alto e bom som: são traidores”. Em uma entrevista na Megaleite, uma feira agropecuária em Belo Horizonte, os pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, também falaram sobre o possível tarifaço. Zema criticou a política externa do governo Lula. "Isso demonstra claramente a inoperância, a incompetência do governo Lula com as relações internacionais. Durante o governo Lula, nós temos assistido o Brasil se aproximar de regimes autoritários, de Cuba, de Irã, de outros governos que são tudo menos democráticos, e se distanciar de países do Ocidente. O resultado está aí mais uma vez. Quem perde é quem trabalha, quem produz. O Brasil precisa, como eu tenho dito, se aproximar do Ocidente”, diz Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo. Caiado seguiu na mesma linha. "O que eu entendo é que o Brasil, governado pelo PT, não tem mais uma política no Itamaraty, uma política de Estado. Ele tem uma política de governo, onde o Itamaraty sempre foi um ponto ali de poder produzir grandes acordos internacionais. A chancelaria brasileira sempre foi uma referência mundial. De repente, tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper esse relacionamento com os Estados Unidos”, diz Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD. Ameaça de novo tarifaço americano provoca reações do governo e de pré-candidatos à Presidência da República Jornal Nacional/ Reprodução No início da tarde, o Palácio do Planalto divulgou uma nota: "O governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR - Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos - relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”. O texto diz ainda: "O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”. E que: "O governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas”. O vice-presidente Geraldo Alckmin se reuniu com os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Fazenda e da Comunicação Social. “O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump. Por que entende que ela é injusta? Porque, das colocações feitas na chamada Seção 301, a primeira delas se refere à questão do PIX. O PIX é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população”, afirma vice-presidente Geraldo Alckmin. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disse que 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão ameaçadas. São máquinas, equipamentos, plásticos, produtos de madeira, papel, calçados, ferro fundido e o setor de peixes e crustáceos. Em outro evento em Catalão, o presidente Lula exibiu um cartaz em defesa do PIX e se dirigiu a Trump: "Trump, é o seguinte, cara: você diz que pintou química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você nem eu. Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter sua anuência, porque nós dois combinamos 30 dias, até 15 de julho, para poder ter uma resposta do que nós propusemos”. Em uma rede social, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo e uma carta que enviou ao secretário americano Marco Rubio: "A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro - os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, diz a carta. "Eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula. Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia, perseguição. Estão até saindo do Brasil. Eu expliquei: não seria justo taxá-los ainda mais. Eu reforcei que os Estados Unidos não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil", afirma Flávio Bolsonaro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai atuar na linha diplomática, considerando que ainda é uma recomendação, que não houve o aumento de tarifa e há tempo para reverter a situação: "Veja que foi uma recomendação. Não está dado ainda o aumento de tarifa. Tem um período. O ministro Mauro Vieira está amanhã na OCDE com o (Jamieson) Greer, responsável por essa recomendação. Eu mesmo tenho compromissos internacionais, não afasto a hipótese de ir aos Estados Unidos ou entrar em contato com o Scott Bessent, que é secretário do Tesouro. E o presidente Lula certamente vai querer fazer contato com o presidente Trump para que isso não aconteça, porque é uma medida muito injusta”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre produtos nacionais Quais os próximos passos e prazos da investigação comercial dos EUA contra o Brasil? Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria' Flávio Bolsonaro diz ter pedido a Trump que não taxasse produtos do Brasil Ana Flor: Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/06/02/ameaca-de-novo-tarifaco-americano-provoca-reacoes-do-governo-e-de-pre-candidatos-a-presidencia-da-republica.ghtml


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